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a indústria antifumo

"O grande mito dessa luta é que, pelo fato de que o cigarro faça mal à saúde e a indústria do fumo seja muitas vezes desonesta, seus adversários devam ser moralmente superiores.

Na verdade, também eles - os advogados envolvidos, os políticos e os defensores da saúde pública - não raro usam de desonestidade e hipocrisia para alcançar seus objetivos. E com motivos freqüentemente egoístas: enriquecimento pessoal (os advogados), poder e popularidade (os políticos) e gratificação do ego (os defensores da saúde pública)."

Robert J. Samuelson

REVISTA EXAME - 10/03/1999 - WASHINGTON POST

 

O que o repórter omitiu, talvez por, nesta época (12 anos atrás) não visualizar o futuro, foi o enriquecimento pessoal dos profissionais da saúde (além da gratificação do ego mencionada) e o grande negócio que a cruzada representa hoje para a indústria farmacêutica. Afinal, porque não abocanhar um naco da indústria tabagística?

 

Marina Silva, no seu "Dupla prevenção", fala da pobreza gerada pelo cultivo do fumo, esquecendo que patches e chicletes também usam nicotina.

 

Muitos profissionais da área são também consultores de fabricantes dos remédios usados para parar de fumar.

 

Sem contar a Ciência para Imprensa, que divulga estudos, mesmo contestados ou não comprovados, criando pânico e insegurança na população com a deliberada omissão do significado da palavra "risco" para a epidemiologia.

 

Um estudo foi publicado no Estado de São Paulo (Até Garçom fumante está menos intoxicado) quase um ano antes da publicação científica, sem mencionar o fato de que um de seus autores tem ligação com a indústria farmacêutica. (PDF pág 6 / 161).

 

No meio deste tiroteio ficam os pobres fumantes...

 

Existe grande interesse em atiçar no fumante a vontade de parar, para assim, o transformar em consumidor de produtos antifumo. Mas nosso país e todos os profissionais envolvidos na cruzada antifumo estão viciados demais em nicotina para nos deixar sair assim, tão fácil...

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

Leia mais na reportagem completa abaixo

 

a matéria original:


 

A indústria antifumo

Os interesses por trás da luta contra o cigarro nos Estados Unidos

 

Robert J. Samuelson, da EXAME - 10/03/1999

 

É possível que os Estados Unidos estejam encerrando, ao menos temporariamente, a cruzada antitabagista da década de 90. No final do ano, foi fechado um acordo pelo qual os fabricantes de cigarros pagarão cerca de 200 bilhões de dólares aos estados americanos no decorrer de 25 anos. Isso poderá esfriar a polêmica. Se acontecer, será o principal ponto positivo do episódio. De resto, o acordo constitui uma paródia de boa política governamental. Ele impõe um imposto pesado a uma parcela mais pobre da população, promove benefícios modestos à saúde e aprofunda a confusão popular sobre a questão.

 

Concedamos os possíveis benefícios para a saúde. O acordo prevê a elevação do preço dos cigarros. Isso pode reduzir o número de fumantes em alguns (poucos) pontos percentuais. Mas parece improvável que restrições à publicidade façam cair o índice de tabagismo entre os adolescentes. Na década de 90, o país foi abarrotado de notícias e programas de TV com teor antitabagista. Enquanto isso, algumas sondagens indicam que o tabagismo adolescente aumentou.

 

Mas o grande mito dessa luta é que, pelo fato de que o cigarro faça mal à saúde e a indústria do fumo seja muitas vezes desonesta, seus adversários devam ser moralmente superiores. Na verdade, também eles - os advogados envolvidos, os políticos e os defensores da saúde pública - não raro usam de desonestidade e hipocrisia para alcançar seus objetivos. E com motivos freqüentemente egoístas: enriquecimento pessoal (os advogados), poder e popularidade (os políticos) e gratificação do ego (os defensores da saúde pública).

 

Eis as questões que deveriam estar no centro do debate: até que ponto a sociedade tem o direito de castigar os fumantes por suas decisões, na medida em que essas decisões sejam consideradas nocivas à saúde? Será que os fumantes atuais devem ser punidos - com impostos mais altos - para refrear os fumantes futuros?

 

Perguntas como essas opõem a crença dos americanos na liberdade pessoal ao desejo de proteger a saúde pública. Precisamente porque elas são difíceis de responder, os adversários do tabagismo desviaram a discussão para três outras idéias, todas de valor duvidoso:

 

  1. Os fumantes não são responsáveis por seu comportamento. Quando adolescentes, são seduzidos pela publicidade. Mais tarde, não conseguem parar porque o cigarro vicia.
  2. O tabagismo gera custos sociais enormes, principalmente gastos com a saúde, que são repassados aos não-fumantes.
  3. A indústria de cigarros deve ser punida e obrigada a compensar os não-fumantes pelos custos sociais do fumo.

 

Vejamos:

 

  1. Mesmo que o fumo vicie, as pessoas conseguem romper vícios. Hoje existem mais ex-fumantes do que fumantes.
  2. Quanto aos custos sociais, alguns estudos já demonstraram que os fumantes, porque morrem mais cedo que os não-fumantes, geram economia para o governo, com a redução dos gastos com aposentadoria e manutenção da saúde.
  3. Ainda que os fumantes elevassem os gastos do governo, a indústria não poderia custeá-los sem ir à falência. O dinheiro sempre teve de vir dos fumantes, por meio do aumento do preço dos cigarros - o que equivale a aumento dos impostos.

 

Os adversários do tabagismo raramente discutem essa questão, porque suas implicações são sérias. Os fumantes têm baixa renda. Apenas 20% dos impostos sobre cigarros são pagos por pessoas com renda maior que 50 000 dólares. Já 34% vêm de gente que recebe menos de 20 000 dólares, e 19% de pessoas com renda entre 20 000 e 30 000 dólares. Resultado: a cruzada contra o cigarro vira um acordo de Robin Hood ao contrário. Tira dos pobres para dar aos ricos.

 

Os ricos são, no caso, os advogados que representam os estados nos processos antitabagistas. O acordo prevê até 500 milhões de dólares anuais em honorários advocatícios. Ou seja, trata-se de um programa de bem-estar social que pode gerar alguns bilionários instantâneos.

 

Como nada disso pode ser defendido abertamente, é camuflado. Com a ajuda da imprensa conivente, o público crédulo aderiu à histeria antitabagista. Como a campanha deu certo, ela vai inspirar ataques a outras indústrias. Não sabemos contra quem - talvez o álcool, o automóvel ou os alimentos de alto teor de gordura. Mas isso é apenas questão de tempo.

 

© 1998, Washington Post Writers Group

 

 

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