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notícias&artigos 2012
má influência

15/02/2012

A notícia publicada no jornal O Estado de São Paulo expõe publicamente o que a população apenas supunha: a prática comum da indústria farmacêutica distribuir brindes (que vão desde bloquinhos e canetas até cruzeiros que se extendem à toda a família do profissional).

 

Uma outra forma de premiação é através de participação em congressos com base na quantidade de prescrições de um determinado remédio.

 

Prática comum também são as ações promocionais de medicamentos dirigidas a estudantes de Medicina não habilitados à prescrição.

 

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original:



Médicos e farmacêuticas fazem acordo para frear influência

Estado de São Paulo - 15/02/2012

 

Indústria se compromete a não patrocinar eventos de lazer para profissionais nem distribuir brindes sem relação com a área

 

Um acordo divulgado ontem pretende disciplinar as relações entre médicos e indústria farmacêutica no País. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) assinaram um protocolo para diminuir a influência de brindes e viagens na conduta clínica dos profissionais de saúde.

 

Durante as discussões, o presidente do CFM, Roberto D'Ávila, chegou a defender a total proibição de que as empresas paguem viagens para os médicos. "Não tenho receio de admitir que mudei de opinião", afirma D'Ávila. "Minha posição se identificou com a tendência mundial que não é proibir totalmente, mas buscar limites claros e critérios de transparência para a prática."

 

Ele afirma também que o CFM não possui autoridade legal para impedir que os médicos aceitem as viagens. Na prática, a indústria assumiu o compromisso de não patrocinar eventos de lazer - como viagens acompanhadas pela família e congressos em cruzeiros. Também não distribuirá brindes sem relação com a área de saúde - como canetas e blocos de anotações - ou mais caros que um terço do salário mínimo.

 

"É consenso a conveniência do contato das equipes de pesquisa da indústria com a classe médica. Os conselhos médicos também precisam da ajuda financeira das farmacêuticas para organizar vários congressos", afirma Antonio Britto, presidente executivo da Interfarma. "O que precisávamos garantir era uma relação transparente."

 

O documento prevê que as empresas utilizem "critérios objetivos" para definir quais médicos devem ser convidados para os congressos. Britto admite que esses critérios ainda não estão claros e afirma que será criado um grupo de acompanhamento - com membros da indústria, do CFM, da Associação Médica Brasileira (AMB) e da vigilância sanitária - para aprimorar o acordo.

 

D'Ávila defende que o auxílio das empresas seja voltado principalmente para congressos em vez de financiar viagens de médicos. "Dessa forma, você não personaliza o auxílio", defende o presidente do CFM.

 

Ele também espera aprimorar o acordo no grupo de acompanhamento. Outra exigência reafirmada pelo acordo é que empresas e médicos revelem quando algum profissional recebeu dinheiro para dar uma conferência em congressos.

 

Britto afirma que as empresas que violarem o acordo - que será integrado ao código de conduta da Interfarma - poderão sofrer sanções como advertências, multas ou até a expulsão da entidade. Penas semelhantes foram previstas pelo CFM para os médicos que infringirem o protocolo.

 

OUTROS PONTOS

 

Regalia: Eventos médicos em navios de cruzeiro não são considerados compatíveis com as melhores práticas éticas.

 

Critérios: Os médicos não deverão ser convidados para congressos com base em parâmetros comerciais (por exemplo, como premiação por indicar um determinado tipo de remédio).

 

Festa: As indústrias ficam proibidas de pagar qualquer despesa relacionada a atividades de lazer como shows, teatro, eventos esportivos, etc.

 

Formação: As farmacêuticas não devem realizar ações promocionais de medicamentos dirigidas a estudantes de Medicina não habilitados à prescrição.

 

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