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notícias&artigos - 2011
estudo totalmente defasado é usado para sugerir restrições à venda de cigarros

O INCA realizou uma pesquisa entre os anos de 2002 e 2009 referente ao consumo de tabaco no Brasil.

 

Para se ter uma idéia da defasagem deste estudo, publicado no jornal "O Estado de São Paulo" como assunto "inédito", ele mostra, entre outras coisas, a influência que a publicidade de cigarros na TV tem sobre as crianças...

 

A reportagem tem como título "Metade dos jovens entre 13 e 15 anos já comprou cigarros". No entanto, o estudo realizado pelo INCA não fornece este dado. E não é novidade que o tabagismo é uma doença infantil...

 

É possível saber pelo estudo que em Palmitos (região Sul), 15,3% dos jovens desta faixa etária já experimentaram (menor índice) e que em Porto Alegre (também região Sul) o número sobe para 52,6%. Mas as datas são diferentes (2002 P. Alegre e 2007 Palmitos). E não houve compilação adequada para a reportagem, que apenas cita os índices mais altos.

 

Estes índices se referem ao uso e não necessariamente a compra. É quase impossível saber através do estudo qual a porcentagem de jovens desta faixa etária que já compraram cigarros. Nem quantos compraram influenciados por propaganda, uma vez que a maioria compra por unidade (vendidos clandestinamente e obviamente sem publicidade).

 

O único dado correto é em relação ao índice de jovens que nunca foi impedido de comprar, estes sim retirados diretamente do estudo. E o dado é absolutamente assustador: no ano de 2009, 69,6% em São Paulo, 72,7% em Campo Grande e 76,3% em Vitória (citando dados do mesmo período, ao contrário do que faz a reportagem).

 

Os maiores problemas então, ao contrário do que afirma a matéria, não são a excessiva exposição do produto nos pontos de venda ou o fato de serem vendidos ao lado de guloseimas, mas a venda ilegal do produto, quer seja na forma de venda por unidade quer seja na venda do produto para menores de idade.

 

Que tal então fazer cumprir uma lei existente antes de criar mais leis?

 

Adicionalmente, seguem aqui as recomendações do INCA:

 

1) Monitorar o tabagismo - segundo o próprio estudo, isto já está sendo feito.

 

2) Proteger a população contra a fumaça do tabaco - quase todos os estados brasileiros já fizeram leis próprias, e a população está satisfeita. Apenas 2 estados, Rondônia e São Paulo, aplicaram a restrição total sugerida pelo relatório.

Obs. A mesma lei que trata

 

3) Oferecer ajuda para a cessação do tabagismo - essa está difícil de cumprir. Apesar de constar da Convenção Quadro, o "Disque Saúde – Pare de Fumar (0800 61-1997)" é uma piada, o Portal da Lei Antifumo paulista sequer tem um número para quem quer parar, e, no mesmo portal, sob o título "Males do Fumo" só há informação sobre "fumo passivo". ONGS e órgãos de saúde tem um longo caminho a percorrer neste tema.

 

4) Advertir sobre os perigos do tabaco - pelo estudo realizado pelo INCA este item está sendo cumprido com rigor. A publicação sugere advertências em ambos os lados da embalagem.

 

5) Fazer cumprir as proibições sobre publicidade, promoção e patrocínio - talvez pela defazagem de informações do estudo, os links usados como exemplo estão bastante desatualizados:

i) Site do Lucky Strike Lab tem nova versão - 2002

ii) Festa do Peão começa com ‘O Rappa’ - 2005

iii) Além das porteiras do rodeio - 2005

iv) Free Zone Tecnopop - 2002

 

Curiosamente, apesar da nicotina ser abordada como droga perigosíssima, com inúmeros efeitos para a saúde, em mais de 34 páginas de outra publicação distribuída pelo INCA ("Nicotina, droga universal"), derivados do produto são veiculados livremente na mídia e vendidos sem receita nas farmácias, provavelmente classificados como "medicamentos anódinos e de venda livre" pelo Ministério da Saúde.

 

6) Aumentar os impostos sobre o tabaco - sem comentários. A Souza Cruz, sozinha, é o 10o maior contribuinte do governo. E os impostos aumentam cada vez mais.

 

O INCA sugere ações sobre a fumicultura, responsabilizando, mais uma vez, somente a indústria tabagística. Sequer menciona a indústria farmacêutica, que também é voraz consumidora do produto.

 

Apesar de todas estas "novidades", a matéria tratou o assunto como inédito, com grande destaque a uma ONG que recentemente revelou ser financiada pelos laboratórios de remédios antitabagistas.

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original


 

Metade dos jovens entre 13 e 15 anos já comprou cigarro, aponta pesquisa

O Estado de São Paulo - 30/08/2011 - Clarissa Thomé

 

Levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca) revela que, apesar de lei federal proibir a venda do produto para menores de idade, os adolescentes não são impedidos de comprar cigarros; ONG propõe mais restrição para acesso dos jovens ao tabaco.

 

RIO - Metade dos adolescentes com idades entre 13 e 15 anos já comprou cigarro, apesar de o País dispor de lei federal que proíbe a venda do produto para menores de idade. Entre as meninas, o porcentual é um pouco maior: 52,6% ante 48,1% para os meninos. Em algumas capitais, o índice de jovens que nunca foi impedido de comprar cigarros ficou muito acima da média - em Maceió, chegou a 96,7%; em Fortaleza, a 89,9%; e em Salvador, a 88,9%.

 

Os dados fazem parte do livro A Situação do Tabagismo no Brasil, que o Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou ontem, Dia Nacional de Combate ao Fumo. O material reúne dados de pesquisas do Sistema Internacional de Vigilância do Tabagismo da Organização Mundial da Saúde realizadas no Brasil entre 2002 e 2009.

 

Liz Almeida, gerente da Divisão de Epidemiologia do Inca, lembra que as leis existem e são claras - proíbem a venda de cigarros para adolescentes, até mesmo a comercialização por unidades. Ela afirma que os órgãos competentes não dão conta de fiscalizar todos os bares, padarias, bancas de jornal.

 

"Acho que não cabe uma ação coercitiva. Mas cabe a nós, cidadãos, chegar até o dono do estabelecimento e falar sobre os motivos da proibição, lembrar que, para o jovem, desenvolver essa dependência significará o surgimento precoce de doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer, que vão tirar a vida dele mais cedo do que deveria", afirmou a gerente do Inca.

 

Para a organização não governamental Aliança de Controle ao Tabagismo (ACT), é preciso restringir ainda mais o acesso ao cigarro. "Há uma exposição excessiva das embalagens. Elas estão ao lado de balas, chocolates, um tipo de produto atrativo para crianças ainda menores. É preciso diminuir a exposição do cigarro", disse a diretora executiva Paula Johns.

 

Regulação. A associação lançou ontem a campanha Limite Tabaco, que pede mais restrições para a exibição do cigarro. "Não se trata de proibir a venda, mas o cigarro tem de ser comercializado com responsabilidade. Um produto que mata um em cada dois consumidores precisa ser regulado."

 

O levantamento feito pelo Inca mostra que 77,9% dos fumantes começaram com menos de 20 anos. E a baixa escolaridade está ligada ao início precoce do hábito. "Quanto menor a escolaridade, maior a quantidade de jovens que fuma mais precocemente. Quanto maior a escolaridade, mais tarde as pessoas começam a usar o tabaco", afirma Liz.

 

Entre pessoas com menos de um ano de escolaridade, 40% delas começaram a fumar antes dos 15 anos. Na outra ponta, aquelas que têm mais de 11 anos de estudo, apenas 12,9% fumaram antes dos 15.

 

A pesquisa revela que a proporção de mulheres que começou a fumar antes dos 15 anos é superior à dos homens - 21,9% para elas e 18% para eles.

 

Em algumas capitais, a diferença é ainda maior. Em Porto Alegre, por exemplo, 52,6% das meninas disseram já ter fumado pelo menos uma vez, contra 38% dos meninos. Em Curitiba, 46,9% das meninas disseram ter experimentado cigarro, ante 35,7% dos meninos. Em São Paulo, a diferença foi de 38% para elas e 29,7% para eles. No Rio, 36,5% das jovens fumaram ao menos uma vez, e, entre os meninos, o índice foi de 29,5%.

 

Contradição. "As pesquisas mostram que não adianta apenas a escola abordar o assunto. Isso não funciona se os adolescentes chegarem em casa e encontrarem os pais fumando, se nos outros ambientes que eles frequentam as pessoas fumam. Isso parece muito contraditório. As experiências bem-sucedidas, no mundo, são aquelas em que as ações foram coordenadas para todos os ambientes", ressalta Liz.

 

 

Endereço da página:

Metade dos jovens entre 13 e 15 anos já comprou cigarro, aponta pesquisa

 

O Estudo do INCA:

A situação do tabagismo no Brasil - Dados dos inquéritos do Sistema Internacional de Vigilância do Tabagismo da Organização Mundial da Saúde realizados no Brasil entre 2002 e 2009.