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notícias&artigos - 2011
proibição de fumo em parques é criticada pela indústria antifumo

01/03/2011

 

Esse povo deve combinar as respostas antes das entrevistas. A reação da Indústria Antifumo, extremamente hipócrita, deve ser fruto das críticas recebidas por ocasião da lei antifumo paulista, uma vez que todas as entrevistadas são de São Paulo.

 

O projeto foi classificado como "extremista", "radical", que "trata o fumante de maneira excludente", "proibicionista", "estigmatizante" pelas senhoras entrevistadas. Como assim???

 

Na verdade as críticas só se dão pela impossibilidade de fazer a lei ser cumprida (da mesma forma como prisões e estádios de futebol foram excluídos da lei antifumo paulista - que só "emplacou" porque são os donos dos estabelecimentos que são penalizados).

 

Uma das entrevistadas sugere que ao invés do projeto de lei apresentado, a lei atual deveria ser extendida a locais de shows e jogos de futebol. Sugiro que ela se ofereça como voluntária para fiscalizar a lei num clássico tipo CorinthiansXPalmeiras.

 

Nada me convence que as senhoras não mudarão de idéia dentro de pouco tempo, por isso fazemos questão de publicar no nosso site esta entrevista tão "interessante". Só para termos aqui um registro e assim garantir que a memória não seja apagada. Mesmo porque uma delas foi bem clara: acha que "há medidas mais importantes para o país implantar antes de vetar o fumo em espaços abertos".

 

Outra alternativa sugerida é aumentar mais uma vez o preço dos cigarros, o que é sempre, na nossa opinião, a pior: as classes desfavorecidas (comprovadamente as que abrigam a maioria dos fumantes), sem acesso a tratamento e a remédios são sempre as mais prejudicadas. E o governo, que arrecada BILHÕES (literalmente: só a Souza Cruz contribui com 7 por ano) sem investir em tratamento, o maior vencedor desta batalha.

 

ATENÇÃO SENHORAS: redução de fumantes se dá através de conscientização e tratamento. Como demonstram as pesquisas, o número de fumantes não recuou nem um tiquinho depois da lei antifumo. É no mínimo MUITO suspeito continuar batendo na mesma tecla.

 

 

ATUALIZAÇÃO DE 22/07/2011

O discurso está mudando...

 

Apenas 4 meses depois de ter criticado o projeto que prevê a proibição do fumo em parques ( "Esse projeto é muito ruim porque dá a impressão de que controlar o tabagismo é impor medidas radicais. É uma coisa proibicionista."), a ACT muda o discurso:

 

Monica Andreis, vice-diretora da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) e mestre em psicologia clínica pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que tal medida neste momento não é defendida pela ACT, pois ainda é necessária a aprovação imediata em todo o território nacional de lei que proíba o tabaco em ambientes fechados, uma vez que apenas sete estados brasileiros adotaram essa legislação.

 

4 meses depois o projeto deixou de ser uma "coisa proibicionista"?

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original:



Projeto que quer vetar fumo em praias e parques de SP é criticado

FOLHA EQUILÍBRIO - 01/03/2011 - 08h30

MARIO CESAR CARVALHO DE SÃO PAULO

 

Fumante no Bryant Park, em Nova York

 

Macaquear projetos de lei, como o que quer proibir o fumo em praças e praias no Estado de São Paulo, não é uma boa ideia, segundo especialistas em tabaco.

 

Dias depois de Nova York anunciar que iria vetar o fumo também em espaços abertos, o deputado estadual Vinícius Camarinha (PSB) apresentou um projeto que copia, sem disfarces, a nova lei americana.

 

O resultado é que o tiro saiu pela culatra - o projeto é criticado pelos principais ativistas antifumo do país.

 

"Não apoiamos esse tipo de projeto porque é extremista, radical e trata o fumante de maneira excludente", diz Tania Cavalcante, chefe da Divisão de Controle do Tabagismo do Inca (Instituto Nacional de Câncer), órgão responsável pela política antifumo no Brasil.

 

"Isso é um pouco radical chique", debocha Vera Luiza Costa e Silva, que ocupou o mais alto posto da OMS (Organização Mundial da Saúde) para controle de tabagismo. Segundo ela, há medidas mais importantes para o país implantar antes de vetar o fumo em espaços abertos.

 

As mais óbvias são o aumento do preço do cigarro e do imposto - ambas consideradas pela OMS como extremamente eficazes para reduzir o número de fumantes.

 

Outra medida seria estender para o resto do país o veto ao fumo em ambientes fechados, um projeto de lei que o governo Lula engavetou.

 

Paula Johns, da ACT (Aliança de Controle ao Tabagismo), entidade que reúne cerca de 400 ONGs atuando nessa área no país, diz que o projeto de lei serve para estigmatizar os que tentam controlar o cigarro.

 

"Esse projeto é muito ruim porque dá a impressão de que controlar o tabagismo é impor medidas radicais. É uma coisa proibicionista."

 

Seria mais importante, segundo Paula Johns, vetar fumo em grandes aglomerações, como estádios de futebol e locais de shows.

 

Outro projeto prioritário, para ela, seria retirar a publicidade dos pontos de venda, por causa do contato que as crianças têm com essas imagens - os displays costumam ficar ao lado de balas e doces, numa estratégia nada sutil para arregimentar novos consumidores.

 

OUTRO LADO

 

Há ainda dúvidas sobre a eficácia do veto ao fumo em ruas e praias. Bairros do Japão proíbem desde 2002 o cigarro nas ruas e em praias, mas o país não é nenhum modelo em combate ao tabagismo: lá, o percentual de homens fumantes bate nos 37%, enquanto no Brasil esse índice não passa de 22%.

 

O deputado Vinicius Camarinha nega que tenha copiado o modelo americano. "Tomei Nova York como ponto de partida para ampliarmos os ambientes livres de fumo." Ele diz que sua intenção não é discriminatória: "Do fundo do coração, fiz o projeto para proteger as pessoas. Sou contra o fumo, não contra o fumante.

 

" Para quem acha o projeto uma ideia de jerico, Camarinha manda um recado: "Não tenho compromisso com o erro. Posso mudar tudo".

 

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Projeto quer vetar fumo em praias e parques