defendemos o fumante, não o fumo: 
quer parar de fumar ou reduzir?
 

notícias&artigos 2011
mais difícil que o cigarro

22/12/2011

Em entrevista para o jornal "O Estado de São Paulo", Maria Cristina Megid, chefe da fiscalização das leis antifumo e antiálcool relata a dificuldade de coibir o álcool entre os jovens. Alega que fatores como "características da juventude" (contestação, etc) e falta de conhecimento dos males do consumo estão entre as principais causas.

 

Antes fosse...

Pela polêmica que vem causando a Lei Geral da Copa - A Fifa tem interesse comercial direto na venda e no consumo de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa de 2014 (um dos patrocinadores da entidade é uma cervejaria americana) - é fácil perceber o tamanho da dificuldade.

 

Fabricantes de bebidas patrocinando eventos esportivos? Como se posicionam a OMS (Organização Mundial da Saúde), o CRATOD (Centro de Refereência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas) e associações médicas? A passividade é desconcertante se comparadas às posições das mesmas entidades quando o assunto é o cigarro.

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original:



É mais difícil coibir álcool que cigarro

ESTADÃO - 27/11/2011 - ADRIANA FERRAZ

 

Chefe da fiscalização da nova lei antiálcool diz que preço baixo da cerveja é o grande vilão do consumo entre os adolescentes

 

Na família, ela é conhecida como a 'tia' que não deixa beber nem fumar. Os sobrinhos de Maria Cristina Megid, de 55 anos, já sabem: quando a chefe da fiscalização das leis antifumo e antiálcool está na área, é melhor seguir a regras.

 

Desde a semana passada, a médica especialista em saúde pública assumiu o difícil desafio de reduzir o acesso de adolescentes à bebida alcoólica com aplicação de multa de até R$ 87,2 mil ao comerciante que vende o produto sem checar documento de identidade ou simplesmente permite o consumo.

 

No último fim de semana, o primeiro da aplicação da nova lei, a equipe de Maria Cristina, formada por 5,6 mil agentes, flagrou RG falsificado e até "invadiu"uma festa de 15 de anos atrás de irregularidades. E, como esperado, encontrou jovens bebendo cerveja - bebida considerada pela diretora da Vigilância Sanitária Estadual como a vilã do consumo de álcool entre menores por ser tratada como inofensiva.

 

O consumo de cerveja está banalizado entre os jovens?

Sim, pelo preço. Por ser barata, a cerveja é a primeira a ser consumida e, às vezes, em grandes quantidades. Alguns pais consideram que ela não faz mal e, por isso, os filhos podem experimentar ou dar "só um golinho". É aí que está o perigo.

 

Como fiscalizar e coibir esse consumo?

Com muito bom senso e observação. O mais difícil é identificar quem tem 16, 17 anos. Um menor pode aparentar ser mais velho. E o inverso também. Tem muita gente maior de idade com cara de adolescente. Então, nossa estratégia foi ampliar essa faixa etária, para não corrermos riscos. Nossos fiscais ficam de olho em todo mundo que parece ter até 25 anos.

 

E o trabalho demora mais?

Sim. O tempo que cada equipe passa no local escolhido para fiscalização da lei antiálcool é maior se comparado ao tempo que se gasta para fazer o controle da lei antifumo, por exemplo. A gente precisa, antes de tudo, observar o comportamento das "pessoas suspeitas". Não dá para chegar e querer resolver tudo na hora, de maneira intempestiva, até porque são menores de idade.

 

É mais difícil proibir o fumo ou a bebida entre adolescentes?

O álcool, que é a droga mais usada entre os adolescentes, que não têm consciência do mal que ele faz. E o jovem gosta de contestar. Por isso, acho mais difícil fiscalizar o uso de bebida alcoólica do que de cigarro. Pesquisas ainda mostram que, ao contrário do fumo, o consumo de álcool ainda é crescente entre os menores. Hoje, 20% dos adolescentes bebem pelo menos uma vez por semana, segundo pesquisa Ibope.

 

A propaganda atrapalha?

Muito. Quase 70% das propagandas de cerveja são veiculadas nos intervalos dos programas de esporte, que atraem muito os jovens. Esses anúncios só mostram a parte boa. Nunca informam o quanto a bebida pode ser prejudicial à saúde. Fica a impressão de que beber é um mal menor, mas não é. As consequências geradas pelo uso do álcool são gravíssimas, desde cirrose até câncer. Isso sem falar nos problemas familiares.

 

Você acredita que a lei antiálcool vai 'pegar', como ocorreu com a lei antifumo?

Acredito que vai demorar um pouco mais, mas vai pegar. Penso até que ela pode ser até copiada em outros locais, como ocorreu com a lei de combate ao tabaco.

 

Qual será o foco da fiscalização antiálcool?

Vamos continuar visitando locais com concentração de jovens, como bares ao lado de escolas e cursinhos e lojas de conveniência. Com o aperto na fiscalização, a lei deverá ser incorporada ao cotidiano das pessoas. Os comerciantes vão ter de ficar mais atentos, inclusive à checagem dos documentos. Se um fiscal consegue identificar um RG falso, o dono do bar também consegue.

 

Quem tem mais medo da fiscalização?

No caso da lei antifumo, todos tinham medo da fiscalização no começo. Hoje, não mais. As pessoas estão se acostumando a cumprir as regras.

 

Você é fiscal o tempo todo?

Sim, até nas festas de família. Outro dia, um sobrinho de 16 anos disse que, por minha culpa, ele não poderia mais ir à balada. Tentei convencê-lo de que tinha de esperar até os 18 para ir a locais que vendem álcool, mas ele achou melhor não contar para os amigos quem eu sou. Chega a ser engraçado.

 

Endereço da página:

É mais difícil coibir álcool que cigarro