defendemos o fumante, não o fumo: 
quer parar de fumar ou reduzir?
 

notícias&artigos - 2011
são paulo registrou em 2010 os piores índices desde 2007

Sabemos que as condições climáticas ajudam a piorar a qualidade do ar, mas segundo o médico Paulo Saldiva, coordenador do Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo (USP), a concentração de poluentes no ano passado são também resultado da própria poluição.

 

Saldiva diz que o resultado parece mostrar um possível esgotamento de medidas de controle de emissões (Inspeção Veicular e Programa de Controle da Poluição do Ar). Os combustíveis são menos poluentes mas houve um aumento da frota e a consequente queda na velocidade dos carros, que funcionam por mais tempo.

 

Para entender:

Ozônio: Nas camadas superiores da atmosfera exerce importante função ecológica, absorvendo as radiações ultravioletas do sol e reduzindo assim a sua quantidade na superfície da Terra. Mas nas camadas inferiores da atmosfera, exerce ação nociva sobre os vegetais, animais, materiais e sobre o homem, mesmo em concentrações relativamente baixas.

Material Particulado (MP): inclui fuligem, poeira, a fumaça e todo material suspenso no ar, gerados principalmente pelo motor a diesel. Principais formadores do smog, quanto menores, mais agridem o sistema respiratório e o cardiovascular.

Monóxido de Carbono (CO): gás sem cor ou cheiro que se associa à hemoglobina, provocando dor de cabeça e redução da capacidade respiratória. Em altas concentrações, provoca asfixia e pode até matar. É encontrado principalmente nas cidades devido à combustão incompleta de combustíveis, tanto pela indústria como pelos veículos automotores.

Dióxido de Enxofre (SO2): resulta da queima do enxofre, que está em maior concentração no diesel. Reduz a visibilidade e causa a chuva ácida, que provoca a corrosão de construções e a destruição da vegetação. Irritante e tóxico para os seres humanos.

 

Parâmetros da Cetesb (Fonte: CETESB)

Os parâmetros contemplados pela estrutura do índice da CETESB, são:
- dióxido de enxofre (SO2)
- partículas totais em suspensão (PTS)
- partículas inaláveis (MP10)
- fumaça (FMC)
- monóxido de carbono (CO)
- ozônio (O3)
- dióxido de nitrogênio (NO2)

 

Para cada poluente medido é calculado um índice. Através do índice obtido ar recebe uma qualificação, que é uma espécie de nota, feita conforme apresentado na tabela abaixo:

 

Qualidade Índice MP10
(µg/m3)
O3
(µg/m3)
CO
(ppm)
NO2
(µg/m3)
SO2
(µg/m3)
Boa 0 - 50 0 - 50 0 - 80 0 - 4,5 0 - 100 0 - 80
Regular 51 - 100 50 - 150 80 - 160 4,5 - 9 100 - 320 80 - 365
Inadequada 101 - 199 150 - 250 160 - 200 9 - 15 320 - 1130 365 - 800
200 - 299 250 - 420 200 - 800 15 - 30 1130 - 2260 800 - 1600
Péssima >299 >420 >800 >30 >2260 >1600

 

Para efeito de divulgação utiliza-se o índice mais elevado, isto é, a qualidade do ar de uma estação é determinada pelo pior caso. Esta qualificação do ar está associada com efeitos sobre à saúde, independentemente do poluente em questão, conforme tabela abaixo:

 

Qualidade Índice Significado
Boa 0 - 50 Praticamente não há riscos à saúde.
Regular 51 - 100 Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas), podem apresentar sintomas como tosse seca e cansaço. A população, em geral, não é afetada.
Inadequada 101 - 199 Toda a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta. Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas), podem apresentar efeitos mais sérios na saúde.
200 - 299 Toda a população pode apresentar agravamento dos sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta e ainda apresentar falta de ar e respiração ofegante. Efeitos ainda mais graves à saúde de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas).
Péssima >299 Toda a população pode apresentar sérios riscos de manifestações de doenças respiratórias e cardiovasculares. Aumento de mortes prematuras em pessoas de grupos sensíveis.

Individualmente, cada poluente apresenta diferentes efeitos sobre a saúde da população para faixas de concentração distintas, identificados por estudos epidemiológicos desenvolvidos dentro e fora do país. Tais efeitos sobre a saúde requerem medidas de prevenção a serem adotadas pela população afetada.

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original


 

Em 2010, SP respirou 2 meses de ar poluído

O Estado de São Paulo - Paulo Saldaña - 07/08/2011

 

Moradores da Região Metropolitana de São Paulo respiraram em 2010 o equivalente a dois meses de ar poluído. Dados do Relatório de Qualidade do Ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mostram em 61 dias do ano passado os níveis do poluente ozônio foram considerados inadequados. O número é o mais alto desde 2007.

 

Segundo a Cetesb, as condições meteorológicas do ano passado foram preponderantes para a concentração de gases e partículas nocivas à saúde. O índice de material particulado - formado por poeira e partículas inaláveis - também ficou seis dias acima do padrão aceitável.

 

Para a gerente de Qualidade do Ar da Cetesb, Maria Helena Martins, a alta nos registros está ligada ao grande número de dias com condições desfavoráveis para a dispersão dos poluentes no ano passado. Foram 59 dias com essa classificação. "Em 2010, houve um inverno com estiagem grande, de meados de julho a começo de setembro. Além de longos períodos de calmaria (dias sem vento) e de umidade relativa do ar baixa", explica.

 

O ozônio e o material particulado são os principais vilões da qualidade do ar nos últimos anos. O tráfego de veículos responde por até 80% da poluição de material particulado e da produção de ozônio. O gás se forma na atmosfera, em uma reação de dois compostos na presença de luz solar. Por isso, seu controle é considerado mais difícil. Dias com sol e céu claro facilitam a formação de ozônio.

 

Controle

 

O médico Paulo Saldiva, coordenador do Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo (USP), entende que a atual tendência de alta na concentração dos dois poluentes citados mostra um possível esgotamento de medidas de controle de emissões - ações que foram criadas nas últimas décadas e, sem dúvida, tiveram resultados. "Apesar de os combustíveis e veículos serem cada vez menos poluentes, a frota vem aumentando e a velocidade dos carros, caindo. Assim, eles funcionam por mais tempo. Estamos vendo o fim de um modelo de gestão de qualidade do ar, que se baseou, por exemplo, no Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) e na inspeção veicular."

 

A Cetesb ressalta que os registros estão bem longe de picos apurados no fim de década de 1990. Em 1997, por exemplo, a Região Metropolitana teve 162 ultrapassagens do limite do material particulado.

 

Saldiva ressalta que as condições climáticas que influenciaram a concentração de poluentes no ano passado são também resultado da própria poluição. "Há forte influência do clima urbano, pelos problemas de uso do solo e da mobilidade."

 

Sob controle

 

A boa notícia fica por conta do monóxido de carbono, cujos níveis - mesmo em condições meteorológicas desfavoráveis - estão entre os mais baixos da década. O dióxido de enxofre também se mostra controlado. A concentração média é a mais baixa registrada nos últimos dez anos.

 

 

 

Endereço da página:

Em 2010, SP respirou 2 meses de ar poluído