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notícias&artigos - 2009
estudo estranho publicado no estadão

10/11/2009 - atualizado em 06/2011

 

Notícia do Estadão de hoje: Até garçom fumante está menos intoxicado.

 

Estudo indica redução de 35,7% na concentração de monóxido de carbono* no organismo de funcionários de bares que fumam.

 

Medições foram feitas antes da lei e 3 meses depois da lei (novembro) e apontam seguintes níveis:

garçons fumantes: de 14ppm p/ 9ppm

garçons não fumantes: de 7ppm para 3ppm

 

medições nos ambientes:

fechados: de 5ppm para 1ppm

parcialmente abertos: de 4ppm para 1ppm

abertos: de 3ppm para 1ppm

 

Pera lá: em ambientes parcialmente abertos e abertos? A própria Luizemir Lago (Cratod) afirmou ser impossível avaliar isso devido à dispersão de poluentes...

 

Veja os dados do relatório 2009 da Cetesb (pdf) quanto à concentração de monóxido de carbono.

 

Antes da lei (inverno) - altíssimo, 3 meses depois, com as chuvas, o ar está limpo em todas as regiões de São Paulo.

 

A redução maior foi registrada em Taboão da Serra (54%) e a menor em Congonhas (26%). A queda média nas 14 estações medidas foi de 41%.

 

O que este estudo revela, e é importante, é quanto a poluição de São Paulo afeta a saúde dos cidadãos - fumantes e não fumantes.

 

O mais divertido, contudo, é pensar que agora só é permitido fumar ao ar livre, onde a medição acusou uma queda de 2ppm... e depois querem que os levemos a sério!

 

Infelizmente São Paulo entrou na era da "fabricação" de estudos. Vamos ver quantos mais aparecerão.

 

Aguardaremos o aniversário da lei que se dará no inverno. E os aniversários seguintes. Vamos desmascarar essa "evidência contundente" descoberta pelos "cientistas". Mais dados sobre poluição aparecerão para comprovar como são sérios os profissionais que cuidam do tabagismo neste país e fora dele.

 

* Monóxido de Carbono (CO) É um gás incolor e inodoro que resulta da queima incompleta de combustíveis de origem orgânica (combustíveis fósseis, biomassa, etc). Em geral é encontrado em maiores concentrações nas cidades, emitido principalmente por veículos automotores. Altas concentrações de CO são encontradas em áreas de intensa circulação de veículos.

 

Ciência para Imprensa

 

São trabalhos que antes de serem terem seu conteúdo aprovado para publicações científicas, bem mais rigorosas que a mídia sensacionalista, são divulgados através de comunicados à imprensa, provocando alarme na população e prejudicando a Ciência como um todo.

 

Atualização importante - julho de 2011:

 

É exatamente o caso deste estudo do INCOR, publicado quase um ano depois da reportagem, com a ressalva do conflito de interesses envolvendo uma das autoras**.

 

** Jaqueline Issa, como aponta a publicação, é consultora da Pfizer.(PDF pág 6 / 161) e principal investigadora para os ensaios clínicos com medicamentos para interrupção do tabagismo da Pfizer e Lilly.

A Pfizer é fabricante do Champix (Vareniclina), acusado de provocar efeitos psiquiátricos adversos como depressão, comportamento agressivo e tendências suicidas. Recentemente a droga foi acusada de aumentar em 72% o risco cardiovascular.

A médica também faz parte da equipe de cardiologia do INCOR.

 

O estudo:

The effect of Sao Paulo's smoke free legislation (PDF)

 

Ar piora em 38% das cidades - Estadão.

Será que esse foi o motivo de não haver comemorações no aniversário da lei?

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original:



Até garçom fumante está menos intoxicado

ESTADÃO DE HOJE - 10/12/2009 Versão Impressa

 

Incor aponta redução de 35,7% na concentração de monóxido de carbono no organismo de funcionários de bares que fumam, após lei

Fernanda Aranda

 

Até os pulmões dos garçons fumantes tiveram "trégua" dos efeitos da fumaça com a vigência da lei antifumo, indica a primeira pesquisa científica sobre a legislação vigente há quatro meses no Estado de São Paulo. Estudo feito pelo Instituto do Coração (Incor), divulgado ontem, mostra que o banimento do uso do cigarro em ambiente interno implicou redução de 35,7% na concentração do poluente mais nocivo do tabaco, o monóxido de carbono (CO), dentro do organismo de funcionários de bares, restaurantes e casas noturnas da capital paulista que têm o hábito de fumar.

 

No total, 200 profissionais que se declaram fumantes participaram do mapeamento sobre o impacto da lei na saúde. Antes da exigência dos ambientes completamente livres de cigarro - com a proibição até mesmo do fumódromo -, essa turma apresentou concentração média de 14 ppm no organismo (unidade de medida do CO). Doze semanas depois da norma estadual passar a valer, o índice do grupo caiu para 9 ppm. "Uma evidência contundente de que o próprio fumante não é imune à fumaça do tabaco que ele ou outra pessoa expele", afirmou a pneumologista e autora da pesquisa, Jaqueline Isa.

 

O levantamento contemplou também os garçons que nunca fumaram e, para os 200 pesquisados, a redução de CO foi de 57,1%, saindo de 7 ppm antes da lei para 3 ppm. Ou seja, antes eles tinham dosagem de monóxido semelhante a quem fuma até cinco cigarros por dia. Agora, voltaram a ter pulmão compatível ao de um morador de cidade grande que, mesmo sem fumar, sofre algum tipo de contaminação por causa da poluição veicular - como já atestou pesquisa do Laboratório de Poluição da USP.

 

Para fazer a pesquisa, o Incor firmou parceria com o Centro Estadual de Vigilância Sanitária (CVS), uma das pastas responsáveis pela fiscalização da lei antifumo, com o intuito de que a coleta de dados fosse feita durante as blitze. Os garçons participantes foram escolhidos em 710 estabelecimentos do segmento noturno visitados pelos técnicos. As medições, afirma o Incor, foram realizadas antes da lei e três meses depois, sempre no mesmo dia da semana e no horário da primeira coleta.

 

Os funcionários sopraram um aparelho que mede a dosagem de CO, chamado de monoxímetro, durante o horário de trabalho, que coincide com a hora de lazer do paulistano. Por isso, também foi avaliada a qualidade ambiental dos locais. Nos ambientes fechados, a dosagem de monóxido passou de 5 ppm para 1 ppm. Nos parcialmente abertos, de 4 ppm para 1; nos abertos, de 3 para 1. "Conseguimos equalizar as concentrações nos locais com a lei", afirmou Jaqueline, ao ressaltar que antes da legislação 49 recintos, a maioria casas noturnas, estavam em situação crítica para CO, acima de 9 ppm, mais alta do que o escapamento de um caminhão, por exemplo.

 

Os resultados do Incor respondem pela primeira etapa da pesquisa - inédita na utilização do monoxímetro como marcador de mudanças. O próximo passo é mensurar se a legislação paulista terá interferência na mortalidade por enfartes e derrames, temas que já fazem parte da literatura científica internacional.

 

Em Paris, o Instituto Nacional de Prevenção concluiu que após um ano de lei antifumo francesa os casos de "pane no coração" caíram 15%. Em Nova York, pesquisa do Departamento de Saúde Pública atestou que as queixas de problemas respiratórios diminuíram em 88%. Em São Paulo, a expectativa é de que os mesmos efeitos sejam alcançados, até mesmo na população jovem, cada vez mais alvo de doenças fatais cardiovasculares. O Instituto Dante Pazzanese mostrou que em dois anos aumentou em 12% os casos de enfartes em quem tem menos de 40 anos. Um dos motivos é o tabagismo.

 

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