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cigarros mais seguros

09/12/2012

Esta matéria mostra com clareza as intenções da Indústria Antifumo, neste caso específico, de mãozinhas dadas com as companhias tabagísticas americanas.

 


a matéria original - tradução: EuFumo

 

Projetando cigarros mais seguros

 

Forbes - 21/02/2012 - Donald Frazier

 

Como seria se tivéssemos um cigarro menos perigoso para aqueles que não conseguem abandonar o hábito, de forma que pudessem continuar fumando mas vivendo mais? Já está disponível no Canadá, na França, na Rússia e em alguns países da Ásia, em breve também para os 350 milhões de fumantes chineses. Nos EUA? Esqueçam.

 

É mais um efeito perverso do Acordo de 1998. Ele transformou as grandes empresas de tabaco num cartel e blindou sua fatia de mercado. Os procuradores gerais do estado, através de um acordo de 206 bilhões de dólares repeliram os potenciais concorrentes de forma que o dinheiro continuasse a ser derramado nos seus estados. Uma forma de afastar a concorrência: atacar qualquer empresa alegando questões de saúde. Que conveniente para a Phillip Morris e R.J. Reynolds...

 

No caso, o alvo é uma empresa de biotecnologia de Hong Kong de 80 anos, a Filligent. O filtro criado por ela, "MicroBlue", consegue bloquear muitas das toxinas que fazem com que o cigarro seja perigoso, sem afetar os ingredientes responsáveis pelo sabor e o efeito, apesar de aditivo, produzido pela nicotina. "Durante anos a comunidade de saúde pública simplesmente colocou que a fumaça dos cigarros é totalmente maléfica," diz Scott Ballin, diretor da Alliance for Health,

Economic & Agriculture Development de Washington, D.C., financiada por grupos de desenvolvimento econômico dos estados produtores de tabaco e que tem criticado o acordo. "Agora os avanços científicos nos deram um entendimento melhor sobre o que existe no produto - o que é prejudicial e o que é benigno".

 

Menos de 5% dos que tentam parar de fumar tem sucesso por mais de 5 anos, diz a principal executiva da Filligent Melissa Mowbray-d'Arbela. Dado o fracasso das tentativas de fazer o fumante parar, os experts em tabaco como Dr. Judith Mackay (World Lung Fundation - New York) dizem que depois de parar de fumar, o produto da Filligent seria a melhor opção.

 

Os filtros tradicionais funcionam como peneiras, bloqueando de forma mecânica tudo o que existe na fumaça dos cigarros: não apenas os carcinógenos mas também a nicotina. Mas a nicotina, altamente aditiva, é exatamente o que os fumantes querem. Se não conseguem obter o suficiente de um cigarro, acendem outro. E acabam consumindo a mesma quantidade de alcatrão e nitrosaminas que consumiriam fumando cigarros tradicionais.

 

O filtro MicroBlue é diferente. Tem uma substância bioquímica que atrai e imobiliza os carcinógenos, deixando passar a nicotina. Palavras de um cliente da Filligent, o distribuidor canadense Edwar Roundpoint: "As pessoas odeiam os cigarros mais fracos, mas isto é diferente: não afeta em nada o sabor ou os efeitos da nicotina."

 

O filtro Filligent funciona? Não completamente, mas testes de laboratório dos EUA e Grã Bretanha concluiram que o filtro Filligent Generation 3 reduz o câncer causado por mutações genéticas de 40-75%. Também reduz a citotoxicidade - ou seja, o morte das células que produzem doenças cardíacas em 18%. A Filligent agora está anunciando o filtro Generation 4 (veja o gráfico).


"Estamos no negócio de salvar vidas," diz Mowbray-d’Arbela. Ela e os experts em tabaco Ballin e Mackay dizem que não conhecem nenhuma outra empresa com filtros bioquímicos semelhantes.

 

filtro

 

A Filligent produz um outro produto que usa o mesmo princípio inteligente de filtragem: a BioMask, uma máscara facial anti-infecção. Devido à gripe H1N1 a empresa espera arrecadar mais de U$12 milhões e vendas este ano.

 

Mas a meta a longo prazo e atingir U$9 bilhões mundo afora por conta dos filtros de cigarros. Mudar para a China, onde morrem 1 milhão por ano por causa dos cigarros, segundo a OMS, certamente ajudaria. A OMS tem pressionado as empresas a advertir os males do cigarro, pois, segundo ela, 60% dos fumantess chineses desconhecem os efeitos nocivos do produto. Não foi anunciado nenhum acordo mas o principal executivo Ben Frickel diz que o MicroBlu foi muito bem acolhido entre as autoridades chinesas.

 

Vinda de uma família pobre da Austrália, com 3 outros irmãos, Mowbray-d’Arbela, 43 anos, tem o visual de uma editora de modas. Ela trabalhou como advogada para a Skadden, Arps de Wall Street, e depois como capitalista de risco na GE Equity em Hong Kong, de onde saiu em 1999 para conduzir a Maven International, na mesma cidade. Em 2001, quando recebeu a proposta do australiano Neal Stewart, um pioneiro na área de tecnologia e conselheiro de longa data da Maven, para comercializar uma maneira de separar as partes cancerígenas do cigarro do resto, ela se revoltou. Ela nunca fumou: "A impressão de aspirar a fumaça de um escapamento de carros sempre me desestimulou." Mas depois, tentou fumar para aprender mais (continua sendo uma não-fumante).

 

A capitalista dentro dela rapidamente respondeu a esta oportunidade de negócio.

A Filligent, com investimento da Goldman Sachs, entrou no mercado americano em 2005. Uma nova marca decigarros, Fact, usava o filtro. Mas o procurador geral impediu dizendo que estavam fazendo "alegações de saúde infundadas". Em um ano a Fact foi arrancada do mercado: Não ia conseguir ir longe com um cigarro menos nocivo se não conseguisse falar sobre ele. Alex De La Cruz, o empresário de Miami que comercializou o produto nos EUA diz que perdeu U$16 milhões do seu bolso.

 

O que as agências aceitariam como fundamentação de alegação de saúde? A associação de procuradores gerais em Washington, que impoem o acordo, não conseguem achar nenhuma norma específica nas 88 páginas do acordo. Mas diz que os testes custariam caro, no patamar de milhões de dólares e vários anos usados para aprovar remédios. Como diz Robert Levy, advogado e presidente constitucional do Instituto Cato, "todo o objetivo do acordo é para a indústria tabagística manter seus concorrentes fora do mercado".

 

Uma coisa é certa: os governos são notoriamente contra desculpar o fumo, mas este pode ser um caso onde o perfeito é inimigo do bom. Os planos de Mowbray-d’Arbela são de vender seu produto em

outros lugares do mundo até que chegue o ponto em que os americanos exijam o produto. "É óbvio que um dia os fumantes americanos descobrirão o MicroBlue", ela diz, "mas por enquanto, nosso alvo é outro."

 

Endereço da página:

Designing a safer cigarette

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.