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notícias&artigos - 2011
frio aumenta em até 62% internações causadas pela poluição do ar em SP

Mais uma sobre a poluição...

 

Com os fumantes fora da equação, dois anos após a implantação da lei antifumo, problemas respiratórios continuam a preocupar os moradores da cidade de São Paulo. É possível perceber claramente quem são os vilões da saúde dos não fumantes.

 

Medidas impopulares, impossíveis de implantar em plena campanha eleitoral do então candidato à presidência José Serra, teriam sido muito mais eficazes. Entre elas a restrição maior de circulação de automóveis.

 

Para justificar o injustificável - a proibição do fumo sob toldos e varandas - foi fabricado um estudo mostrando que até mesmo a saúde de fumantes havia melhorado. Em dezembro, com a cidade embaixo d'água, o ar limpo devido às chuvas foi comparado ao ar poluído do inverno, época da implantação da lei.

 

Agora, poucos dias antes do 2o aniversário da lei e a impossibilidade de maquiar fatos, novo estudo mostra os perigos da poluição.

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

Matéria Original:


 

Frio aumenta em até 62% internações causadas pela poluição do ar em SP
O Estado de São Paulo - Paulo Saldaña - 17 de julho de 2011

 

Estudo mostra que queda da temperatura abaixo de 17°C aumenta os efeitos da poluição e provoca salto em internações por problemas respiratórios

 

A queda da temperatura abaixo de 17°C - o que aconteceu 12 vezes só neste mês até agora em São Paulo - aumenta os efeitos da poluição e provoca um salto de até 62% nas internações por problemas respiratórios na capital paulista. É o que mostra estudo da Universidade de São Paulo (USP) cujo objetivo é criar um índice para prever os impactos à saúde a partir dos registros de temperatura, poluição e também umidade do ar, que ontem chegou a 23%, marca mais baixa do ano.

 

O índice preencheria uma lacuna em São Paulo, que sofre com combinações severas de baixa umidade do ar e poluição. Atualmente, espera-se chegar a níveis drásticos para que alguma medida - como uma possível restrição de veículos ou fechamento de escolas - seja debatida.

 

A pesquisa mostra que depender dos alertas atuais, como os da Defesa Civil para o frio e a umidade, é arriscado. Segundo o estudo, quando há aumento de internações por problemas respiratórios, os índices de poluição estão bem abaixo de níveis considerados preocupantes. A temperatura e a umidade, em combinação com os gases poluidores, são os fatores preponderantes para problemas de saúde.

 

"Conseguimos ponderar a influência de cada variável climática ou de poluente para saber o que está atuando com mais força em determinado momento", explica a meteorologista e autora da pesquisa, Micheline Coelho, pós-doutoranda da Faculdade de Medicina da USP.

 

Vilãs

 

A pesquisadora já identificou que, a partir dos 17°C, a combinação com a presença dos poluentes no ar torna-se mais perigosa e faz os atendimentos dispararem. As internações por asma, por exemplo, saltam 33% quando a baixa temperatura combina-se com níveis acima de 56 microgramas por m³ de Material Particulado (MP), as partículas inaláveis, como poeira.

 

Esse índice do MP, porém, é considerado apenas regular pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) - a escala do órgão varia entre boa, regular, inadequada, má e péssima. A presença do poluente ozônio (O3) em níveis superiores a 76,9 microgramas por m³ (considerado bom) provoca um salto ainda maior nas internações por asma, de 62%. As substâncias são as principais vilãs da poluição das grandes cidades.

 

Os resultados são obtidos a partir de cálculos matemáticos que ponderam dados de internações médicas por problemas respiratórios registrados entre 1998 e 2005, boletins de poluição e o histórico climático.

 

Micheline ressalta que o estudo não chegou ao fim. Ela ainda analisa outras doenças e impactos de faixa etária e sexo. "O fator de mudança climática leva a eventos extremos, provocado pelo próprio microclima de São Paulo. Isso traz um impacto na saúde muito forte e específico."

 

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