defendemos o fumante, não o fumo: 
quer parar de fumar ou reduzir?
 

notícias&artigos - 2011
grávidas fumantes

Esta notícia foi publicada no jornal A Folha de São Paulo, em 07/09/2009 :

 

"Filho de fumante tem mais cefaléia".

 

Lendo com mais cuidado, percebemos o raciocínio do "cientista" que conduziu o estudo:

  • Grávidas fumantes tem maior probabilidade de ter partos prematuros.
  • Crianças prematuras podem ter imaturidade cerebral.
  • Imaturidade cerebral pode gerar problemas de cefaléia

 

portanto,

filhos de fumantes tem mais cefaléia.

 

Quando o foco da pesquisa é provar uma tese a qualquer custo, muitos dados importantes são ignorados.

 

A reportagem fala que "prevalência de cefaleia foi tida como 'acima do esperado': 80,9% das crianças já sentiram dor".

 

Em 1989 a percentagem de fumantes no Brasil era de 32%. Em 20 anos, o número baixou para 17%. Não temos dados sobre qual a porcentagem de grávidas na estimativa de fumantes no Brasil, mas o estudo diz que 29% das mães das crianças com cefaléia (que são 80,9%) fumaram durante a gravidez. Ou a reportagem foi mal redigida ou faltaram informações mais detalhadas. Não conseguimos imaginar tantas mulheres grávidas fumando nos dias de hoje.

 

De qualquer forma, como o estudo foi anunciado antes de ser publicado (para variar), resta aguardar os resultados, que pela reportagem, deveriam ter sido anunciados no mês da reportagem (o que não ocorreu até a presente data).

 

 

Prematuridade

 

A prematuridade ocorre em média de 8 a 10% dos nascimentos.

 

O Brasil registra muito mais cesarianas do que os 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A taxa nacional é de 39% e em todos os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste esse índice é superior a 40% - segundo dados de 2002 do Sistema de Informações de Nascidos Vivos (Sinasc).

 

É muito comum nas cesarianas agendadas, seja por conveniência do médico, das mães ou de ambos. O correto, para evitar partos prematuros, é aguardar que a mãe entre em trabalho de parto, o que raramente acontece nesses casos, gerando partos prematuros absolutamente desnecessários.

 

Além das cesarianas, grandes responsáveis pelos partos prematuros e que muito pouco provavelmente entrou como fator neste estudo, são pelo menos 23 fatores de risco para partos prematuros, o consumo de alcool/tabaco/drogas ilícitas é um deles.

 

 

Cefaléia Infantil

 

Segundo informações da Clínica Mayo e da Sociedade Americana de Cefaléia, cefaléias infantis são comuns e normalmente sem importância. Entre 4 a 10% das crianças tem cefaléia, inclusive enxaqueca, que normalmente é hereditária.

Algumas causas:

  • pouca horas de sono
  • pular refeições
  • desidratação
  • estresse
  • muitas horas de computadores/televisão
  • problemas de visão
  • muita cafeína
  • sinusite

 

 

Fumo na gravidez

 

Este é um assunto praticamente proibido nos dias de hoje. Mas nos anos 80, quando muitos adultos brasileiros ainda fumavam, inclusive as grávidas, havia um livro que aconselhava as mamães a reduzir para, no máximo, 10 cigarros ao dia. Os obstetras, mais cautelosos, baixavam este número para 5, no máximo.

 

5 ou 10 cigarros, as futuras mamães fumantes de antigamente achavam que reduzindo os cigarros cuidavam saúde dos seus futuros filhotes. Reduzir a cota de cigarros fazia parte das recomendações médicas juntamente com dieta e exercícios leves. Partos naturais eram regra, e não excessão. Muita coisa mudou nestes 30 anos.

 

O melhor conselho que podemos dar às grávidas fumantes é que tenham uma conversa franca com seus obstetras que poderão aconselhar, entre as quatro paredes do consultório, sobre como lidar com este problema durante a gravidez.

 

Atualização 23/09/2011

 

Ver a finalização do estudo publicada em 23/09/2011 no jornal "O Estado de São Paulo":

Dor de cabeca crônica afeta 2 milhões de crianças e adolescentes no Brasil

 

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

 

a matéria original


 

Filho de fumante tem mais cefaleia

FLÁVIA MANTOVANI editora-assistente de Equilíbrio da Folha

07/09/2009

 

Filhos de mulheres que fumaram durante a gestação têm 2,5 vezes mais chance de ter dor de cabeça crônica diária na infância. É o que sugere um estudo com 1.994 crianças de cinco a 12 anos de Santa Cruz das Palmeiras (SP).

 

Das mães, 29% fumaram na gravidez. Segundo o autor, o neuropediatra Marco Antônio Arruda, presidente do Instituto Glia, de neurociência e educação, é a maior pesquisa já feita no Brasil a avaliar cefaleia em crianças. Ele afirma ainda que a relação entre as duas coisas é inédita na literatura científica. "A descoberta foi surpreendente. Ninguém sabia", diz Carlos Bordini, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

 

Segundo Arruda, substâncias presentes no cigarro interferem na produção de três neurotransmissores do bebê que estão ligados à dor de cabeça.

 

Aparentemente houve correlação entre fumo na gestação e cefaleias em geral, e não só as diárias. Para comprovar isso, é necessário ampliar o estudo - o que será feito neste mês. Serão avaliados 15 mil adolescentes e crianças de 22 Estados para estudar, além de cefaleia, TDAH, depressão e frequência com que veem TV, entre outros parâmetros. A pesquisa tem parceria com a USP e com as universidades de Duke (EUA) e La Sapienza (Roma).

 

José Mauro Braz de Lima, da Academia Brasileira de Neurologia, diz que o efeito do fumo pode ser indireto. "O mais provável no caso de um problema neurológico como esse é que seja consequência de imaturidade cerebral decorrente da prematuridade, pois filhos de mães fumantes têm mais chance de nascer prematuros." Para ele, mais estudos são necessários para comprovar a relação.

 

A prevalência de cefaleia foi tida como "acima do esperado": 80,9% das crianças já sentiram a dor. Segundo Arruda, estudos mundiais com crianças de sete anos apontam que 40% já tiveram a dor. Com adolescentes de 15 anos, o índice é de 75%. Das crianças com cefaleia diária, um terço abusava de analgésicos -o que cronifica a dor.

 

"A enxaqueca é uma doença genética, mas é influenciada por fatores externos, como excesso de atividades extracurriculares", afirma Arruda.

 

O estresse, especialmente o escolar, é o gatilho mais comum na infância. "A principal fonte de estresse infantil é o desempenho escolar. As crianças com enxaqueca tendem a ser perfeccionistas", diz Bordini.

 

Alimentos como bebidas com aspartame, salsicha e mortadela, luz ou barulho muito forte e falta ou excesso de sono também são gatilhos. "O enxaquecoso não pode com nada em excesso. Tem que ter uma vida regrada", diz Bordini.

 

Há vários tipos de dor de cabeça --desde a enxaqueca até dores tensionais episódicas, que ocorrem após a criança passar muitos horas no computador, por exemplo. Comparadas com as crises de cefaleia dos adultos, as infantis duram menos --cerca de uma hora.

 

O tratamento pode ser feito com remédios analgésicos e preventivos ou com biofeedback (técnica na qual o paciente é treinado a relaxar). Os pais devem levar os filhos ao médico quando a dor ocorrer mais de três vezes ao mês, for muito forte ou vier com sintomas como febre e vômitos.

 

Endereço da página:

Filho de fumante tem mais cefaléia