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notícias&artigos - 2009
lei antifumo não afeta venda de cigarros

28/11/2009

 

Matéria publicada no jornal A Folha de São Paulo* relata que não houve queda significativa na venda de cigarros após a adoção das medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (aumento de impostos e ambientes livres de fumo).

 

Para a Secretaria de Fazenda a pequena queda registrada (4,2%) é apenas uma flutuação natural do mercado.

 

Comparando o período de janeiro a agosto a oscilação é ainda menor: -0,05%.

 

Segundo a chefe da divisão de controle de tabagismo do INCA, Tânia Cavalcante, isso acontece porque a queda foi muito acentuada nos últimos 20 anos (de 32% em 1989 para 16% em 2009) e fica difícil reduzir de forma rápida esse percentual.

 

O economista Roberto Iglesias (estuda o consumo de cigarros) acredita que em lugares com invernos pouco rigorosos as pessoas não se incomodam de sair na rua para fumar.

 

Ja a secretaria da Saúde do governo de São Paulo disse que o objetivo da medida é proteger os não fumantes e não quis comentar o assunto.

 

Comentários:

  • O Brasil está trocando uma estratégia de sucesso por uma outra comprovadamente falida. No nosso país, a lei federal contempla o direito de fumar em espaços segregados em empresas e estabelecimentos. O número de ex-fumantes, segundo o IBGE, supera o de fumantes** (17,2% e não 16% como iz Tânia Cavalcate). Os EUA, cujas leis estamos tentando imitar (iniciativa do Governador José Serra) teve um aumento do número de fumantes em 2008 (vide postagem anterior).
  • São justamente os estados com invernos mais rigorosos que registram o maior número de fumantes (na região Sul 19% da população fuma).**
  • Os fumantes não são uma preocupação para a Secretaria da Saúde do Governo de São Paulo e o Governador José Serra. Apesar do tabagismo ser uma doença classificada, gerando ações e investimentos em todos os países que adotaram leis que agora estão sendo copiadas por aqui, eles afirmam que a nossa lei só foi feita para proteger os não fumantes.*
  • Se a lei paulista foi concebida apenas para proteger os não fumantes, porque não permitir nos antigos fumódromos das empresas (não frequentados por não fumantes) os equipamentos aprovados para locais de cultos religiosos e evitar demissões de funcionários fumantes?

 

Porque não reconhecer que a estratégia utilizada está errada ao invés de buscar justificativas? E o que foi essa resposta da Secretaria da Saúde? Se a idéia não era proteger os fumantes porque acabar com os fumódromos? Esse castigo coletivo é o mais difícil de tragar!

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

as matérias originais:



* Lei antifumo não afeta venda de cigarros

FOLHA DE SÃO PAULO - COTIDIANO

São Paulo, terça-feira, 24 de novembro de 2009

 

Levantamento feito a pedido da Folha mostra que legislação contra o tabaco e aumento de imposto não reduziram comercialização

Para Secretaria da Fazenda de São Paulo, recuo de 4,2% no faturamento da indústria entre julho e agosto é uma flutuação natural do mercado

MARIO CESAR CARVALHO DA REPORTAGEM LOCAL

 

A combinação das duas medidas mais recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para reduzir o consumo de cigarro -aumento de imposto e ambientes livres de fumo- ainda não produziu queda nas vendas no Estado de São Paulo.

 

Levantamento feito pela Secretaria da Fazenda do governo paulista a pedido da Folha mostra que a lei antifumo, em vigor desde 7 de agosto, provocou um pequeno recuo na venda no primeiro mês de sua implantação. O faturamento das empresas teve uma retração de 4,2% quando se compara o primeiro mês da lei antifumo (agosto) com o período imediatamente anterior (julho).

 

Na comparação entre janeiro e agosto, a oscilação é ainda menor -0,05%.

Em janeiro, o maço custava de 20% a 30% a menos do que hoje porque o governo federal não aumentara os impostos.

 

 

"Flutuação natural"

 

A própria Fazenda diz que não é possível classificar a variação como uma queda, já que há uma "flutuação natural" nos números quando se comparam os valores mensalmente.

 

A arrecadação de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), coletado pelo governo estadual, variou ainda menos -houve uma oscilação negativa de 1,4%.

 

O caso mais famoso de queda na venda de cigarros no primeiro mês de uma lei antifumo é o Reino Unido. Em 2007, quando adotou uma lei similar à que foi aprovada em São Paulo, a venda caiu 11%. Um estudo da Philip Morris de 1992 estimava que o veto do fumo em locais de trabalho provocaria uma queda de 11% a 15% no consumo desses trabalhadores.

 

Vaivém

 

O aumento de imposto de cerca de 30% feito pelo governo federal em abril mostra como o mercado brasileiro é complexo.

 

Estudos do Banco Mundial apontam que o aumento de 10% no preço do maço provoca uma queda de vendas de 8% em países de renda média e baixa (como o Brasil) e de 4% em países de renda alta.

 

Já uma pesquisa realizada no Brasil em 2005 apontava que uma elevação de 10% no preço reduziria o consumo em 2,5% a curto prazo.

 

Em São Paulo, o aumento do imposto provocou dois fenômenos: revendedores compraram mais em março e abril, porque se sabia que a medida seria adotada, e quatro meses depois o faturamento havia voltado ao patamar de janeiro. Ou seja, a medida não provocou queda de consumo.

 

Dois pesquisadores ouvidos pela Folha dizem que três semanas é um período muito exíguo para aparecerem efeitos no consumo. Tania Cavalcante, chefe da divisão de controle do tabagismo do Inca (Instituto Nacional de Câncer), aponta outro problema: o número de fumantes caiu de forma tão acentuada no país nos últimos anos (de 32% em 1989 para 16% em 2009) que ficou mais difícil reduzir de forma rápida o percentual de dependentes.

 

"Na China, onde o percentual de fumantes é muito alto e a política antifumo é muito fraca, a queda seria maior", compara. A hipótese é que os que continuam a fumar no Brasil depois de uma série de políticas, como as imagens de alerta nos maços de cigarro e a proibição da publicidade, são os mais dependentes. Roberto Iglesias, um dos raros economistas no Brasil que estudam o consumo de cigarro, afirma que o aumento dos impostos federais pode ter sido anulado pelo crescimento da renda do brasileiro.

 

Sobre a pequena variação na venda após a lei antifumo de São Paulo, ele tem uma hipótese climática: a de que em lugares com inverno pouco rigoroso as pessoas não se incomodam tanto em ir para a rua para fumar. Por isso, não houve queda no primeiro mês da lei, de acordo com ele.

 

A Secretaria da Saúde do governo paulista não quis comentar a pequena variação nas vendas de cigarro após a lei. Disse apenas que o objetivo da medida é proteger os não fumantes.

 

Endereço da página:

Lei antifumo não afeta venda de cigarros (Folha Online)

Lei antifumo não afeta venda de cigarros (reportagem completa, apenas para assinantes UOL e Folha)

 

 


 

** Número de ex-fumantes supera o de que ainda fumam, diz IBGE

ESTADÃO - SAÚDE

São Paulo, 27 de novembro de 2009

 

Cerca de 26 milhões de pessoas largaram o cigarro; mais da metade dos fumantes querem parar de fumar

 

O número de ex-fumantes já é maior do que o de fumantes no País. Entre a população brasileira adulta, 17,2% fumam - o que equivale a 24,6 milhões de pessoas. Por outro lado, 26 milhões pararam de fumar, a maioria há mais de dez anos. É o que mostra a primeira Pesquisa Especial Sobre Tabagismo (Petab), divulgada nesta sexta-feira, 27, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (IBGE), e que traça um perfil completo do consumo de tabaco no Brasil.

 

Esse número, aparentemente favorável aos esforços antitabagistas, vem acompanhado de outros que mostram a dificuldade dos que lutam para abandonar o vício. Metade dos fumantes (52%) afirma que quer parar de fumar. No entanto, quando questionados quando abandonarão o vício, apenas 7% responderam que o fariam no próximo mês. Pouco mais de 81% dos entrevistados quer parar "um dia", mas não nos próximos 12 meses, ou não está interessado em deixar de fumar agora.

 

A pesquisa é o levantamento mais completo já realizado sobre o número, perfil e hábitos dos fumantes no Brasil. O IBGE, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) entrevistou 51 mil pessoas de 851 municípios durante a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad). O estudo foi financiado em parte por organismos internacionais e utilizou a metodologia do Gats (Global Adult Tobacco Survey), que está sendo aplicada em outros 13 países. A Tailândia, único país que já publicou seus resultados, registrou um número de fumantes proporcionalmente parecido ao encontrado nacionalmente.

 

No Brasil, 9 em cada 10 fumantes (88%) fumam diariamente, enquanto cerca de 12% são usuários ocasionais. Seis em cada dez usuários de tabaco acendem o primeiro cigarro até meia hora depois de acordar, o que, segundo especialistas, é outro sinal de dependência. Mais de um terço dos entrevistados consome de 15 a 24 cigarros por dia, o que equivale a uma carteira de cigarros por dia. Por outro lado, quase 65% da população nunca fumou na vida.

 

Nos últimos 12 meses, 45,6% dos fumantes revelou ter tentado deixar o vício, mas apenas 22% recorreu à ajuda de algum profissional de saúde ou à medicamentos.

 

Perfil

 

Os fumantes são predominantemente homens (14,8 milhões contra 9,8 milhões de mulheres, o que equivale a 21% da população masculina e 13% da feminina). A maioria dos que fumam (78%) têm entre 25 e 64 anos e a maior parte deles (32% das pessoas entre 20 e 34 anos) começaram a fumar entre os 17 e 19 anos.

 

Proporcionalmente, fuma-se mais na área rural (20,4%) do que nas urbanas (16,6%), embora em números absolutos mais de dois terços dos fumantes morem nas cidades (20,1 milhões). O estudo mostrou diferenças regionais importantes. Enquanto nas áreas urbanas os cigarros industrializados representam quase a totalidade do consumo, nas regiões rurais, o fumo de rolo ainda supera o de cigarros industrializados (13,8% contra 11,9% da população).

 

A Região Sul foi a que registrou o maior porcentual de fumantes - 19% da população - e é também onde as mulheres mais fumam (16)%. A maior proporção de fumantes homens foi encontrada no Nordeste (23%).

 

A pesquisa também mostrou uma relação entre baixos rendimento e escolaridade com o hábito de fumar. Ou seja: quanto maior a escolaridade, menor a proporção de fumantes. Entre quem tem menos de um ano de estudo, 26% é fumante. Entre quem tem 11 anos ou mais, esse porcentual é de 12%. O mesmo acontece com o rendimento. Quanto maior a renda, menor a população de fumantes (23% dos que ganham menos de 1/4 de salários mínimos fumam, na população que ganha acima de 2 SM, apenas 13%).

 

Fumo passivo e propaganda

 

O local mais apontado de exposição à fumaça produzida pelo consumo de tabaco por terceiros era a própria casa, por 27,9% do total de 15 anos ou mais de idade. A exposição no trabalho era relatada por 24,4% das pessoas de 15 anos ou mais de idade que trabalhavam fora (11,6 milhões em números absolutos). Já em restaurantes, o porcentual alcançou 9,9%.Os bares, botequins e restaurantes eram os locais mais utilizados para compra de cigarros industrializados no Brasil, citados por 53,8% dos fumantes. Também foram citados com frequência os supermercados, mercadinhos e mercearias (21,7%) e as padarias e lanchonetes (14,8%). Em média, os fumantes de cigarros industrializados gastavam R$ 78,43 por mês com cigarros.

 

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Número de ex-fumantes supera o de que ainda fumam