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como distorcer dados de uma pesquisa com resultados "errados"

17/12/2011

"Mais de 90% dos paulistanos apoiam a lei antifumo em São Paulo

MAS

...quase 70% defendem fumódromos em estabelecimentos comerciais, diz pesquisa"

Estado de São Paulo, 17/12/2011

 

A matéria só constata uma coisa: uma pesquisa realizada com os critérios adequados, fazendo as perguntas certas mostra que a maioria sempre desaprovou a lei anitifumo.

 

Explicando: a principal diferença entre a lei paulista e a lei que estava em vigor (embora anulada para alguns estabelecimentos na cidade de São Paulo devido a um decreto do prefeito Kassab), era a extinção dos fumódromos. Desde 1996 é proibido fumar em ambientes fechados em todo Brasil...

 

Se, conforme mostra esta reportagem, 70% defende fumódromos em estabelecimentos comerciais, a lei é desaprovada por 70% dos entrevistados.

 

Em agosto de 2010 demos por encerrada uma pesquisa sobre a lei antifumo paulista, e os resultados não foram muito diferentes.

 

A Indústria Antifumo tem grande know-how na distorção de resultados de pesquisas, e esta matéria não foge à regra. Temos muitas matérias sobre a chamada "ciência para a imprensa", aqui no EuFumo.

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original:



Mais de 90% dos paulistanos apoiam a lei antifumo em São Paulo

ESTADÃO - Domingo, 17/12/2011 - Fernanda Bassette

 

Mas quase 70% defendem fumódromos em estabelecimentos comerciais, diz pesquisa

 

SÃO PAULO - Mais de 90% dos paulistanos apoiam a legislação estadual que proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo. Os dados são de uma pesquisa feita pelo Instituto Informa, do Rio de Janeiro. A lei antifumo entrou em vigor no Estado de São Paulo em 2009.

 

A partir de agora, a restrição ao tabaco valerá em todo o País. Isso porque, na quinta-feira, 15, a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que proíbe o fumo em locais fechados e restringe a publicidade sobre o tabaco. A proibição acaba com os recintos dedicados aos fumantes em aeroportos, shoppings ou empresas, que ainda eram permitidos em vários Estados. A lei ainda precisa ser regulamentada.

 

A pesquisa do Instituto Informa foi realizada na cidade de São Paulo entre os dias 2 e 5 de dezembro e envolveu todas as regiões. Ao todo, foram ouvidas 1.065 pessoas. A margem de erro é de três pontos porcentuais.

 

Espaço reservado. A pesquisa apontou que mais da metade dos paulistanos (57,2%) já presenciou o descumprimento da lei antifumo. Além disso, 67,9% dos entrevistados afirmaram que o governo deveria permitir que estabelecimentos comerciais tenham espaço reservado para os clientes fumantes.

 

Segundo Fábio Gomes, diretor-presidente do Instituto Informa, o cruzamento das informações da pesquisa demonstra, por exemplo, que os mais jovens são os que mais concordam com a existência de fumódromos. Entre os entrevistados de 16 a 19 anos, 81,9% acham que deve haver um espaço reservado. Entre os com 50 anos ou mais, apenas 60,3% concordam.

 

Entre aqueles que concordam com a lei - ou seja, com a proibição total do fumo nos ambientes reservados -, 34% acham que o governo não deveria permitir espaço para fumantes.

 

"Quanto mais o entrevistado discorda da lei antifumo, mais ele concorda em ter um espaço só para ele", afirma Gomes. Um dado, entretanto, chama a atenção: entre aqueles que se declararam fumantes, 20% são contra a reserva de um espaço. “São os radicais. Acham que podem fumar em qualquer lugar”, diz.

 

Para o médico Ciro Kirchenchtejn, coordenador do Centro de Tratamento do Tabagismo do Hospital Oswaldo Cruz, a pesquisa mostra o aumento do convencimento. De acordo com ele, cresceu a procura por tratamentos para parar de fumar. "Ainda são poucos serviços credenciados pelo SUS e a formação médica para essa área ainda é deficiente. Mas estamos caminhando para uma consciência nacional de que fumar é inaceitável", diz.

 

Para Cristina Megid, diretora da Vigilância Sanitária do Estado, os resultados refletem o sucesso da lei. "Quando a lei entrou em vigor, 84% da população apoiava. Se passamos de 90%, é porque a população entendeu que o fumo passivo é tão prejudicial quanto fumar um cigarro."

 

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