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notícias&artigos - 2009
marina silva condena o cultivo do fumo

13/07/2009

 

"Em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, a ex-Ministra Marina Silva condena a plantação do fumo.

 

D. Marina esquece do que são feitos os adesivos (patches) e chicletes de nicotina... e só responsabiliza os fabricantes de produtos tabagísticos.

 

O Brasil é o maior exportador mundial de fumo e o 2º maior produtor. Enquanto que o Brasil cresceu, países importantes tiveram desempenho negativo. Em 2007, a produção brasileira foi de quase 800.000 toneladas, seguida da produção americana (cerca de 430.000 toneladas). O Brasil exportou 710.000 toneladas de tabaco em 2007. (Afubra - Associação dos fumicultores do Brasil - http://www.afubra.com.br).

 

A Souza Cruz, sozinha, contribuiu com mais de R$5 bilhões em impostos em 2008, estando entre os 10 maiores contribuintes de tributos no Brasil. O maior viciado em tabaco é sem dúvida o Brasil!

 

Segundo Marina Silva, 'Florestas são devastadas para alimentar os fornos que secam as folhas do fumo. Para cada 300 cigarros produzidos, uma árvore é queimada. Os plantadores de fumo usam agrotóxicos em grande quantidade, causando danos à própria saúde e aos ecossistemas.'

 

Marina Silva ainda cita um estudo absurdo que diz que a fumaça de cigarros prejudica mais os não fumantes do que os próprios fumantes. Como se fosse possível um não fumante aspirar mais fumaça que o próprio fumante.

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original:



Dupla prevenção

FOLHA DE SÃO PAULO - Opinião

São Paulo, segunda-feira, 13 de julho de 2009

MARINA SILVA

 

O TABAGISMO está no topo da lista dos maiores problemas de saúde pública mundial. Mata mais do que a Aids, a malária e a varíola juntas. No Brasil, é responsável pela morte de 200 mil pessoas por ano.

 

Para o meio ambiente, é igualmente destrutivo. Florestas são devastadas para alimentar os fornos que secam as folhas do fumo. Para cada 300 cigarros produzidos, uma árvore é queimada. Os plantadores de fumo usam agrotóxicos em grande quantidade, causando danos à própria saúde e aos ecossistemas. Cerca de 25% dos incêndios são provocados por pontas de cigarro. E os filtros descartados, que sujam ruas e jardins e poluem lagos, rios e mares, demoram cem anos para se degradarem. Se não bastasse, o artigo do médico Luiz Antônio Santini ("Tendências/Debates", 9/7) mostra a estratégia perversa de adicionar sabores ao tabaco para atrair crianças e adolescentes ao vício, transformando-os em consumidores regulares.

 

O que sabemos hoje sobre os danos provocados pelo tabaco nos obriga a intensificar as ações. Foi banida a propaganda enganosa, que prometia charme e elegância e vendia doença, mas, apesar dessa e de outras conquistas, o estrago continua grande, atingindo diretamente os não fumantes.

 

Dados da Organização Panamericana da Saúde demonstram que a fumaça do tabaco tem três vezes mais nicotina e 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a aspirada pelos tabagistas. Num recinto fechado, em oito horas, o não fumante terá consumido o equivalente a dez cigarros, aumentando em até duas vezes o risco de contrair câncer de pulmão.

 

Temos ainda que considerar os gastos públicos e privados para fazer frente às doenças provocadas pelo tabagismo. Em contrapartida, não há estudo sério que comprove impacto econômico negativo advindo da vigência de leis antifumo.

 

A defesa do direito de fumar como exercício da liberdade individual não pode justificar a invasão do direito coletivo a um meio ambiente livre da poluição do tabaco. Afinal, a liberdade mais importante deve ser a de ter valorizada a própria existência e a dos demais seres vivos.

 

Temos razões suficientes para avançar em medidas consistentes para a redução e o controle do tabaco, como vem sendo feito pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer e outras instituições, e em Estados como São Paulo. No Senado, temos o projeto 315/08, do senador Tião Viana, que está na Comissão de Constituição e Justiça, e ao qual elaborei parecer pela aprovação.

 

Será um passo adiante em defesa da saúde pública e um bem-vindo desestímulo a um vício tão letal.

 

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