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notícias&artigos 2013
estratégias de ódio das campanhas antifumo

23/04/2013

Desde 2009, começando pelas intensas campanhas a favor da lei antifumo paulista, o ódio aos fumantes vem sido cultivado como forma de fazê-los parar através da vergonha e desmoralização.

 


a matéria original - tradução: EuFumo

 

Odiar fumantes não ajuda

 

New Zealand Herald - 22/04/2013 - Deborah Hill Cone

 

Quero ser uma fumante. Ouvir o Professor Stanton Glantz, eminente cardiologista e diretor do Centro de Estudos de Controle de Tabaco na Universidade da California, São Fancisco, me deu vontade de sair e comprar meu primeiro maço de cigarros.

 

O professor Glantz é um homem instruído e sábio envolvido em uma missão. Ele está na Nova Zelândia para tentar nos envolver no que ele chama "uma campanha de desmoralização contra o fumo."

 

O professor Glantz não aprova a forma como gentilmente tentamos estimular os fumantes a abandonar o vício. Quem pensamos que somos?

 

Devemos parar com isso imediatamente e começar a mobilizar toda a população, mesmo os não fumantes, incitando-os a ter raiva e odiar as empresas de tabaco porque, palavras do professor Glantz, elas são "do mal".

 

"Essas pessoas são desprezíveis e estão trabalhando 'nas trevas' ", diz ele.

 

O bom professor também está fazendo lobby para proibir fumantes nos filmes - até mesmo Hobbits fumando cachimbos - e também a favor da proibição de cigarros eletrônicos como forma de auxílio de cessação de tabagismo.

 

Sei que fumar faz mal à saúde, mas não entendi porque ele acha que cigarros eletrônicos, que emitem apenas vapor, são tão perigosos. A única explicação que encontro é que ele é um fanático.


Mas porque este homem erudito e arrumadinho faz com que eu, uma não fumante, tenha vontade de ir ao estabelecimento mais próximo para comprar um maço de cigarros com uma foto de dentes podres? Deve ser porque sou tão do contra...

 

Mas tem algo mais. Fumar é ruim. Mas sair por aí tentando deixar as pessoas, até mesmo quem não fuma (e talvez nunca vá fumar) bravas e com ódio não me parece que possa ajudar. Sem falar em proibir Casablanca (o filme).

 

Parece que ele está pegando uma coisa ruim - algumas pessoas fumam - e adicionando uma outra coisa ruim - todos estimulados a odiar a "eles". É fácil fazer as pessoas odiarem a "eles". O professor Glantz está usando a vergonha e a depreciação como uma forma de transformar o fumante no "outro".

 

Esta é uma estratégia perigosa. A super estrela das conferências TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) Brene Brown fala no seu livro "Daring Greatly" (Ousando Intensamente: Como a Coragem De Ser Vulnerável Transforma A Maneira Como Vivemos, Amamos, Criamos Filho, e Lideramos):
"Não importa se o grupo é uma igreja, uma gangue, um grupo de tricô ou sobre masculinidade: mandar pessoas odiar ou se distanciar de um outro grupo como forma de 'fazer parte' é sempre uma estratégia de controle e poder."

 

Deveríamos questionar as intenções de qualquer grupo que insiste em desdenhar outras pessoas como condição para ser membro deste grupo.

 

Não que eu não tenha culpa no cartório. Sou tão ruim como qualquer outra pessoa. Tem muita gente que eu não suporto.

 

Pessoas com plaquinhas de couro artesanais na porta das suas casas, colecionadores de relógios suissos, ioga-chatos, enólogos-chatos, pessoas que andam devagar, pessoas que falam devagar, quem usa calças tipo pescador, pessoas que dizem "anime-se, isso não vai acontecer", mães de jogadores de futebol, esquiadores, socialistas ricos, Gwyneth Paltrow, pessoas que limpam seus carros com escovas de dentes, pais de crianças superdotadas.

 

Eu poderia ir além e abranger outros grupos. O ponto é que todos temos nossas próprias listas de "eles".

 

O segredo é aprender a não ver estas pessoas como um grupo que nos irrita, mas aprender a nos conectar cada um como indivíduos. Até mesmo aqueles que colam famílias em forma de stick-men nos carros.

 

E conheço duas pessoas que já trabalharam para empresas de tabaco e elas não parecem ser pessoas que engolem cacos de vidros ou que usam pulseiras de arame farpado. Talvez estes indivíduos devessem conhecer o professor Glantz.

 

Seria muito bom estimular fumantes a pararem de fumar. Mas usar a vergonha não é a forma de fazê-lo. Fumar faz mal à saúde. Mas o professor Glantz também faz.

 

Endereço da página:

Hating smokers doesn't help anyone

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.