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notícias&artigos - 2010
OMS e o fiasco da pandemia da gripe suína

27/01/2010

 

"Com as notícias das cheias veio a bomba do escândalo da OMS na questão da gripe suína. A pandemia alardeada pela "respeitável" instituição não aconteceu. Foi uma marolinha, menos perigosa do que a gripe comum.

 

Serviu para encher os cofres das indústrias farmacêuticas cujas vacinas estão encalhadas em diversos países do mundo.

 

Isto só mostra o quanto devemos ficar espertos com relação aos interesses das indústrias, e quanto isso influencia as políticas públicas de saúde. Lembra a campanha da Nestlé para substituir o leite materno por leite em pó nos anos 60, com apoio de governo e pediatras.

 

Qual será a relação deste caso com a Lei Antifumo e a venda de chicletes, patches e remédios para parar de fumar? Afinal, a divulgação dos perigos (controvertidos tanto pelos estudos quanto pelos números divulgados) do fumo passivo vem da OMS...

 

Bom, vamos esperar acabar os temporais para podermos fazer um levantamento sobre quais são os verdadeiros vilões da saúde e dos cofres públicos do Estado de São Paulo.

 

Vale a pena ler a matéria publicada no Washington Post, traduzida abaixo, sobre o caso OMS.

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original:



Relatórios acusam a Organização Mundial da Saúde de ter exagerado a ameaça do virus H1N1, com possível ligação a fabricantes de remédios

por Rob Stein

Washinton Post - sexta, 4 de junho de 2010

 

As críticas européias à forma como a Organização Mundial da Saúde levou a pandemia do H1N1 se intensificaram na sexta-feira com a divulgação de dois relatórios que acusam a agência de ter exagerado a ameaça do virus e pela dificuldade de negar possível influência da indústria farmacêutica nas recomendações de como deveria ser a ação dos países.

 

A resposta da OMS causou temor desnecessário e incitou países mundo afora a gastar milhões de dólares de acordo com um dos relatórios. Ao mesmo tempo o braço de Geneva das Nações Unidas baseou-se em conselhos de experts com vínculos a fabricantes de medicamentos ao desenvolver as diretrizes usadas para estimular países a estocar milhões de doses de medicamentos antivirais, de acordo com o segundo relatório.

 

Os relatórios foram a base para as críticas que surgiram, principalmente na Europa, de como a principal organização mundial respondeu à primeira pandemia de influenza em mais de quatro décadas.

 

"A credibilidade da OMS foi seriamente afetada", escreveu Fiona Godlee, editora do BMJ (British Medical Journal), que publicou um dos relatórios. "A OMS deve agora trabalhar para recuperar sua credibilidade".

 

Um porta-voz da OMS, juntamente com vários experts independentes, no entanto, refutam veementemente os relatórios, dizendo que eles deturpam a seriedade da pandemia e a consequente reação da organização, que foi cuidadosamente formulada e necessária, dada a seriedade da ameaça.

 

"A idéia de que declaramos a pandemia quando não houve uma pandemia é errada e completamente irresponsável", disse o porta-voz Gregory Hartl em entrevista telefônica. "Não há dúvida de que houve uma pandemia. Insinuar que isso não foi uma pandemia é desrespeitoso às pessoas que morreram por conta dela".

 

O primeiro relatório, liberado em Paris, veio da Assembléia Parlamentar do Comitê Europeu de Assuntos Sociais de Saúde e Familiares, que iniciou uma investigação em resposta a alegações de que classificação de pandemia pela OMS foi influenciada por produtores de drogas anti-virais e vacinas.

 

"A Assembléia Parlamentar está alarmada pela forma como a pandemia da inflenza H1N1 foi manipulada, não apenas pela Organização Mundial da Saúde mas também pelas autoridades competentes da União Européia e a nível nacional", constata o relatório de 18 páginas.

 

"A Assembléia está especialmente incomodade por algumas das consequências por decisões tomadas e conselhos dados que levaram a distorções de prioridades nos serviços de saúde pública por toda a Europa, gastos de vastas quantias de dinheiro público e também temores injustificados sobre perigos de saúde enfrentados pelo público europeu como um todo", continua o relatório.

 

O segundo relatório, uma investigação conjunta do BMJ e do Bureau de Jornalimo Investigativo, baseado em Londres, criticou 2004 instruções que a OMS desenvolveu baseada em parte no conselho de experts que receberam por consultorias feitas para as duas maiores fabricantes de drogas anti-virais usadas contra o virus, Roche e GlaxoSmithKline.

 

"Estamos em dúvida se as principais organizações públicas de saúde estão aptas a conciliar conflitos de interesses que são inerentes na ciência médica," diz o relatório.

 

Hartl descartou as acusações.

 

"A OMS diria categoricamente que acredita que não foi sujeita a indevidos conflitos de interesses. Sabemos que alguns experts que participam dos nossos comitês tem contato com a indústria. Seria uma surpresa se não tivessem, porque os melhores especialistas são procurados por todas as organizações", disse Hartl. "Não achamos que as diretrizes produzidas foram sujeitas a influência indevida".

 

Vários outros especialistas também defenderam a agência.

 

"É fácil fazer suposições sobre as decisões dos oficiais da saúde", diz Jeffrey Levi, diretor executivo da Trust for America's Health, um grupo privado sem fins lucrativos. "Mas este tipo de condenação de funcionários da saúde pública que tomaram as decisões prudentes baseados nas informações disponíveis pode ser um tiro pela culatra em futuras emergências: Temo que os funcionários possam no futuro esperar por maior certeza científica antes de tomar decisões - e poderíamos pagar por essa precaução com a perda de muitas vidas".

 

Em resposta às críticas, a OMS lançou duas investigações, incluindo uma por um painél independente de especialistas liderado por Harvey Fineberg, chefe do Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

 

"Estes relatórios levantam questões sobre influências potenciais e inapropriadas nas decisões que a OMS tomou em relação à pandemia do H1N1 em 2009, e mais genericamente, às práticas empregadas pela OMS para se proteger dos conflitos de interesses entre seus assessores especialistas", disse Fineberg em um email. "Estes tópicos estão entre os que serão cuidadosamente considerados pelo nosso comitê."

 

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Relatórios acusam a Organização Mundial da Saúde de ter exagerado a ameaça do virus H1N1