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polêmica - "fumo passivo"
resposta do editor do BMJ para as críticas pela publicação do trabalho de Enstrom e Kabat

Ha pouco tempo fui considerado um herói do movimento anti-tabagista - por ter renunciado à minha cadeira na Universidade de Nottingham quando esta aceitou verbas da British American Tobacco. Fiquei um tanto embaraçado com todo o episódio. Não fui um herói. Mas agora sou um pária por ter publicado um estudo financiado pela indústria de tabaco. Prefiro ser classificado como um pária do que como um herói (talvez devido a uma falha de personalidade de editores), mas não concordo com a acusações.


Ha muito tempo resolvemos que não seguiríamos à política de outros jornais sobre publicação de artigos financiados pela indústria tabagista. Argumentamos que a proibição é anti-ciência e distorção sistematica de conhecimento científico.


Tentaria dissuadir qualquer um a aceitar dinheiro da indústria tabagista - renunciei à Nottingham por isso. É hipocrisia publicar uma pesquisa financiada pela indústria? Não acho. Com alguma dificuldade tento estabelecer uma ética de que toda ciência deve ser publicada acima da ética de não aceitar dinheiro da industria tabagista. Uma vez feita a pesquisa, ela deve ser publicada, e se passar pelo crivo do nosso processo de revisão, pode ser publicada no BMJ.


Nosso processo de tomar decisões sobre research papers é primeiro nos perguntar se a questão nos interessa - no caso, saber se fumo passivo mata, e para nós esta questão ainda não foi respondida de forma definitiva. De fato, talvez nunca será. É uma pergunta difícil e os métodos usados são inadequados. Depois, revisamos rigorosamente o estudo. Dois dos mais importantes epidemiologistas - incluindo George Davey-Smith - revisaram o documento. Depois o documento foi para a comissão, que inclui um estaticista, médicos praticantes e alguns de nós. Todos lêm cada palavra do documento. Solicitamos grandes mudanças - o documento publicado foi diferente daquele que foi submetido - o que é normal.


Claro que o documento contem falhas - todos tem - mas também contém pontos consideravelmente fortes - longo follow-up, grande amostragem e um follow up mais completo do que muitos estudos semelhantes. Acho preocupante que tantas pessoas e organizações - incluindo a BMA (British Medical Assocation), nossos proprietários - referem-se às falhas sem no entanto apontá-las.


Consideramos esse documento como uma contribuição útil para um importante debate. Podemos estar enganados, como nos enganamos com muitos documentos. Isto é ciência. Mas permaneço convencido de que seria errado rejeitar o estudo simplesmente por ter sido financiado pela industria tabagista.


Richard Smith Editor, BMJ

 

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.