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polêmica - ciência para imprensa
dr. michael siegel

"A artérioesclerose é um processo que leva muitos anos para se desenvolver. Entre fumantes, o processo leva cerca de 20 anos, normalmente até mais. É extremamente raro ver um fumante de 30 anos com doenças coronárias arteriais. Se para um fumante o processo leva 20 anos, como é possível para um não fumante desenvolver artérioesclerose ou doença cardíaca em 30 minutos?"

 

Devido a afirmações como esta, o Dr. Michael Siegel, que já foi referência nas questões anti-tabagistas, lider do movimento por 20 anos e responsável pela proibição de fumo em ambientes fechados em mais de 50 cidades americanas tem sido acusado de ser "amigo da Indústria Tabagista"

 

Dr. Michael Siegel critica de forma contumaz o que chama de "Ciência para a Imprensa". No seu blog, analisa os estudos publicados pela imprensa sensacionalista, a maioria pontuada por erros.

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

Para saber mais sobre o Dr. Michael Siegel:

blog: The Rest of the Story

site: Tobacco Control Integrity

 

a matéria original:



Os reais riscos do fumo passivo à saúde

Revista ÉPOCA - saúde & bem estar - 17/04/2009

 

Cientistas acusam os antitabagistas de usar interpretações erradas de estudos científicos

 

Fui chamado de "traidor", diz Michael Siegel, médico de saúde pública da Universidade Boston, em Massachusetts. Um dos maiores líderes do movimento antitabagista nos Estados Unidos durante 21 anos e um dos responsáveis pela proibição do fumo em locais fechados em mais de 50 cidades americanas, Siegel foi duramente criticado depois de questionar publicamente argumentos científicos e políticas públicas em torno dos efeitos nocivos do fumo passivo. Sua postura surpreendeu colegas da área de pesquisa que até então confiavam nele como fonte constante de notícias.

 

Siegel usou um prestigiado fórum de discussão sobre fumo na internet – a Tobacco Policy Talk – para sugerir que a proibição ao cigarro na rua era uma medida extrema demais e que um dos argumentos para sustentar essa proibição era equivocado. Diante de seus pares, financiadores e potenciais futuros patrões, outros membros do fórum acusaram Siegel de ter recebido dinheiro da indústria de tabaco para dizer essas coisas. Quando Siegel bateu o pé, reafirmando seu ponto de vista, os administradores do fórum o excluíram da discussão. "Senti como se tivesse sido excomungado", diz.

 

O caso de Siegel talvez seja o exemplo mais forte de uma tendência perturbadora do movimento antifumo. Questionamentos genuinamente científicos têm ameaçado derrubar as campanhas mais extremistas do movimento, mas os pesquisadores que ousam levantá-los estão sendo condenados ao ostracismo. Essa postura pode ser contraproducente.

 

Existe um consenso entre os pesquisadores de que a exposição de não fumantes à fumaça do cigarro (fumo passivo) em longo prazo aumenta o risco de doença cardíaca, câncer, doenças respiratórias e síndrome da morte súbita do bebê. Siegel não duvida que os fumantes passivos que respiram fumaça de cigarro regularmente sejam prejudicados. Ele e outros antitabagistas "hereges", como o epidemiologista canadense Carl Phillips, da Universidade de Alberta, continuam achando que a máxima "Fumar faz mal à saúde" está correta. Mas desconfiam quando surgem estudos que afirmam, por exemplo, que apenas 30 minutos de fumo passivo podem elevar o risco de infarto de um não fumante ao mesmo nível de risco que corre um fumante. Ninguém duvida que o fumo passivo afeta o fluxo sanguíneo, mesmo no curto prazo, mas daí a inferir que isso aumenta o risco de derrame já seria, na opinião dos críticos, um exagero.

 

A polêmica aparece num momento em que políticas de restrição ao tabaco se consolidam em várias partes do mundo, com base justamente nessas alegações extremistas do movimento antitabagista. Acaba de ser aprovada no Estado de São Paulo uma lei que impede qualquer possibilidade de alguém fumar entre quatro paredes que não sejam de sua casa ou de algum amigo cúmplice, de uma tabacaria ou de um templo religioso em que o fumo faça parte de um ritual. Os fumódromos, áreas reservadas ao fumo que pela lei anterior podiam ser instaladas em qualquer lugar (empresas, bares, restaurantes ou hotéis), foram banidos no Estado. A lei foi recebida com duras críticas dos donos desses estabelecimentos. Eles acusam o governo de prejudicar seus negócios e criar uma segregação entre fumantes e não fumantes.

 

Para Siegel, o risco de basear a proibição ao fumo em locais fechados em inverdades ou dados científicos imprecisos é enfraquecer a credibilidade do movimento e sacrificar a saúde pública. Segundo ele, seria melhor admitir que, apesar de todas as evidências de que o cigarro tende a piorar a saúde de todo mundo, a maior parte das pessoas ficará bem se sua exposição à fumaça for esporádica. "Dizer a verdade seria suficiente para mostrar que o fumo passivo é tóxico", afirma Siegel.

 

Os próprios estudos que dão base ao movimento antifumo, vistos com mais cuidado, suscitam dúvidas. Até mesmo Stanton Glantz, cardiologista e antitabagista da Universidade da Califórnia que conduziu um estudo recente sobre o efeito da fumaça do cigarro nos vasos sanguíneos, reconhece que há um exagero em torno das alegações que o estudo origina. "Um jovem de 25 anos, saudável, não vai cair morto de ataque cardíaco por respirar fumaça alheia", diz.

 

Estudiosos como Siegel querem promover um debate aberto sobre a que tipo de conclusão as evidências científicas realmente permitem chegar, sem que as críticas sejam recebidas com censura. "É escandaloso pensar que, se Mike (Siegel) estiver correto, nosso campo de pesquisa seja culpado pelo mesmo tipo de ciência ruim que a indústria do tabaco perpetrou por tanto tempo", disse Alan Blum, diretor do Centro para o Estudo do Tabaco e da Sociedade, na Universidade do Alabama.

 

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