defendemos o fumante, não o fumo: 
quer parar de fumar ou reduzir?
 

polêmica - novo caminho
vícios modernos - de perto ninguém é normal

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/06/2004 - EQUIPE DE TRAINEES

 

Os demais artigos deste trabalho encontram-se na área do Eufumo para quem quer parar, sob o título "Vícios Modernos."

 

Vaidoso, advogado troca de carreira

 

O objetivo é ganhar o máximo de massa muscular possível. A ginástica, o vício. O espelho, a maior motivação. A busca pelo corpo perfeito faz pessoas passarem horas na academia.

 

"Enquanto está me satisfazendo vou crescer. Quando eu achar que está deixando de me fazer bem, acho que consigo parar, não sei." Ele começou a freqüentar academia aos 19, porque era "muito magrinho". Com 1,70 m, pesava 58 quilos. Hoje pesa 92, com 4% de gordura no corpo. Tartarelli se diz totalmente viciado.

 

O vício de Tartarelli, conhecido como vigorexia ou síndrome de Adônis, é caracterizado pela sensação de que nunca se está bonito como poderia. Semelhante à anorexia, em que o doente nunca acha que está magro o suficiente, a vigorexia faz a pessoa ficar obcecada pela dieta, comparar-se com outras pessoas e até usar complementos como anabolizantes e vitaminas para ganhar musculatura.

mais... (link FOLHA)

 

Atleta treina escondida do técnico

 

Se não fizer exercícios, o dia da empresária Cláudia Paolino, 31, não passa. Ela não dorme bem e acorda angustiada.

 

Quando seu técnico programa repouso, ela treina escondida. Mesmo que o excesso prejudique seu corpo. "Ela se enquadra perfeitamente no perfil de viciada", diz Renato Dutra, 31, pós-graduado em treinamento pela Unifesp, e, ele mesmo, um viciado assumido.

 

Dutra diz achar que todo atleta se vicia nas sensações de alívio e euforia que o esporte provoca. "É a mesma sensação de comer um doce, fazer sexo ou mesmo ouvir um elogio."

 

A liberação da endorfina desenvolve o mesmo mecanismo de tolerância das drogas. Quanto mais você se exercita, mais intensa precisa ser a atividade para que se tenha a mesma sensação.

mais... (link FOLHA)

 

Empresária deixava quase R$1.000,00 por dia em caça níqueis

 

"Cheguei a apostar R$ 1.000 em um dia em caça-níqueis de padaria." Quando chegou a este ponto, a empresária Márcia (nome fictício), 36, precisou roubar dinheiro do avô para continuar apostando.

 

A compulsão surgiu na adolescência com o jogo do bicho. "Apostava todos os dias, três vezes por dia. Em dois anos, detonei tudo que tinha." Márcia não sabe explicar o que a movia para o jogo. "Era uma adrenalina. Perdia tudo, saía me xingando e dizia que nunca mais apostaria.

 

No dia seguinte, ficava pensando em quem eu enganaria para conseguir dinheiro para o jogo." A ajuda para a compulsão veio com os Jogadores Anônimos.

 

Márcia está sem apostar há quase um ano. "A tentação existe, mas lembro as histórias que ouvi nas reuniões e vejo que não quero ficar assim."

mais... (link FOLHA)

 

Cientista virava "Gremlin" deois da meia-noite

 

Acordar de madrugada para comer é um tormento na vida de Mônica (nome fictício), uma pesquisadora que sofre da síndrome do comer noturno, um tipo de distúrbio alimentar.

 

A compulsão de Mônica por comida começou quando ela largou o cigarro, depois de fumar por 23 anos. Mônica diz que, ao acordar em estado de sonambulismo, comia coisas "inimagináveis, que não comeria se estivesse lúcida". Misturas como gelatina com farinha, alimentos de que não gostava --como latas inteiras de goiabada--, tudo era devorado compulsivamente.

 

Começou então a freqüentar o CCA (Comedores Compulsivos Anônimos), em que diz ter encontrado um caminho para lidar com a doença. O grupo segue os moldes das outras entidades do gênero.

 

"O CCA funciona como uma terapia de espelho, somos todos unidos por uma fraqueza. É um grande alívio, perdi um pouco da ansiedade, durmo melhor", afirma a cientista.

mais... (link FOLHA)

 

Dentista consumia crack no consultório

 

Além de seringas, brocas e anestésicos, o crack fez parte da rotina no consultório de Paulo (nome fictício), 46, dentista e freqüentador do NA (Narcóticos Anônimos).

 

Aos oito anos, Paulo tomava injeções de adrenalina para conter crises de bronquite. Com o tempo, o tratamento o fez desenvolver tolerância e crise de abstinência. "O organismo pedia. Se eu não tomasse a injeção, sentia falta de ar."

 

Quando adolescente, começou a beber, fumar maconha e experimentar outras substâncias. Paulo, "tímido e isolado", diz que as drogas eram o caminho para se socializar. Ele conta que passava mal e, durante as crises, rezava e prometia que iria parar. Mas, ao se recuperar, voltava a consumir.

 

Sua família o internou em uma clínica, onde ficou por 65 dias, livrou-se do vício e passou a freqüentar o NA.

 

Paulo diz ter reencontrado a tranqüilidade, mas não se considera curado. "Uma vez dependente, sempre dependente. Sei que vou ter de ir ao NA pelo resto da vida."

mais... (link FOLHA)

 

Mundo virtual alimenta estudante

 

Luiz Carlos Mendes de Mello, 21 anos, estudante de direito, que, na quinta-feira, 3 de junho, estava em uma LAN house havia 13 horas.

 

Não é seu recorde. Ele já passou duas madrugadas inteiras jogando "Counter Strike" (jogo eletrônico) - saiu de casa na sexta e só voltou no domingo de manhã.

 

Luiz sabe ser um dependente: "Há dias em que não consigo me conter, sinto uma agonia e tenho que acessar". Dois dias é o tempo máximo que ele diz conseguir ficar longe da internet, mas nunca pensou em procurar tratamento por achar que o computador não prejudica sua vida.

 

Ele perdeu as contas de quantos compromissos abandonou para ficar na internet. "Sei que estou atrasado, mas tenho que ficar mais um pouquinho."

mais... (link FOLHA)

 

Fé e terapia amenizam compulsões

 

Raquel (nome fictício), 37, professora do interior paulista é formada em pedagogia e filosofia, fez duas pós-graduações e 86 especializações.

 

O excesso não pára por aí. Ela já teve diversas compulsões, como sexo, comida e compras. Para dominar a compulsão por comida, Raquel toma remédios e freqüenta os Comedores Compulsivos Anônimos (CCA), mas ainda tem momentos de crise. "Quando fico ansiosa, como uma pizza inteira, perco o controle." Além dos grupos de apoio, Raquel diz encontrar ajuda na religião.

 

Evangélica há 12 anos, ela atribui a seu pastor e terapeuta a consciência de suas doenças. "Procurar ajuda é amenizar a compulsividade. Você acredita no "poder superior" e deixa tudo na mão dele. Não tenho esperança de ser curada, mas vou melhorar."

mais... (link FOLHA)

 

Descontrole faz fazendeiro perder todo patrimônio

 

Luis (nome fictício), 57 anos, chegou a comprar duas fazendas de uma vez, no total de 21 mil hectares, sem precisar. Bacharel em direito, herdeiro de fortuna, ex-empresário da agropecuária e pai de duas filhas, Luis perdeu tudo por causa da compulsão pelas compras, doença conhecida como oniomania.

 

Luis só parou de gastar quando perdeu tudo. Passou dez anos pagando dívidas, começou a reconstruir sua vida, voltou a namorar a ex-mulher e abriu pequenos negócios.

 

Há nove semanas freqüenta as reuniões dos Devedores Anônimos, única forma de ajuda que utiliza. A sugestão foi de um primo que, segundo Luis, é um dos fundadores dos Jogadores Anônimos.

mais... (link FOLHA)

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

endereço da página:

Vícios Modernos - Entrevista com Rodrigo Bressan