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polêmica - estratégia X ética
altos preços e demora para retirar produtos perigosos

(Série de 2 artigos: ver próximo)

 

Esta edição do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) é muito antiga - julho/2001. É possível através desta série perceber a quanto tempo temos problemas com medicamentos no Brasil. A série tem 10 anos, mas não poderia ser mais atual.

 

Medicamentos são responsáveis pela qualidade de vida que temos hoje. Sua contribuição para a saúde é inegável.

 

O problema está nos rumos que a indústria está tomando. A segunda matéria do IDEC levanta a questão do alto preço dos remédios, principalmente no Brasil. O artigo destaca o papel do marketing na planilha de custos (60%). A denúncia também é feita por Marcia Angell no livro "The Truth About the Drug Companies: How They Deceive Us and What to Do About It".

 

[A escritora foi, nada mais nada menos, que a médica e editora chefe do New England Journal of Medicine (NEJM).]

 

Dra. Angell revela que as indústrias aumentam o valor dos produtos quando as patentes estão espirando, gastam muito pouco em pesquisas, e que a maioria dos remédios não é inovadora - apenas imita fórmulas lançadas anteriormente (muitas vezes destes mesmos cujas patentes estão expirando).

 

Esta é a chave: pesquisa. Não adianta dizer que o risco de vida que as pessoas correm por conta de seus hábitos (fumantes e obesos) justifica que venham a correr riscos quando resolvem deixar de ser fumantes ou obesos. E nem que o valor dos medicamentos é menor do que aquele que gastam com seus vícios.

 

Ao lançar produtos no mercado, fazer lobby com a mídia e legisladores, financiar "estudos para imprensa", o mínimo que esta indústria tem que oferecer é segurança para seus usuários. É isto que os usuários buscam quando recorrem a eles para abandonar seus velhos hábitos.

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original


 

Remédios Proibidos

IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) - ed 59 - 07/01

 

Providências do governo aparecem três anos depois de o Idec denunciar 652 produtos de eficácia duvidosa.

 

Entre março e abril deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a fabricação e a venda de diversos medicamentos muito conhecidos pela população. O Mercurocromo e o Merthiolate, os mais famosos entre os 49 anti-sépticos vendidos no Brasil, já haviam sido proibidos em outros países há anos. Os antigripais Descon e Dimetapp foram suspensos após um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, revelar que a substância fenilpropanolamina poderia causar derrame até nos jovens. Os fortificantes e estimulantes de apetite, como o Biotônico Fontoura e o Sadol, só poderão continuar no mercado se os fabricantes retirarem o álcool etílico de sua composição.

 

Desde março deste ano, a Anvisa já publicou sete medidas proibindo a venda de medicamentos com eficácia duvidosa para a saúde da população. Essa atitude já deveria ter sido tomada há muito tempo. Em 1998, o Idec entregou à então Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária uma lista com o nome de 652 produtos comercializados no Brasil que possuíam pelo menos uma das 115 substâncias ativas identificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como banidas ou de uso restrito em outros países. Na época, o governo não deu importância à lista e respondeu que os remédios não apresentavam riscos para a população. Em setembro do ano passado, mudou de postura e começou a revisão da segurança dos medicamentos presentes no mercado nacional.

 

Alguns continuam no mercado

 

Em abril deste ano, o Idec se reuniu com o gerente-geral de Medicamentos da Anvisa, Maurício Viana, o qual garantiu que a Agência fará uma análise aprofundada dos outros remédios que estão na lista enviada pelo Instituto até setembro. Viana também disse que a Anvisa estaria desenvolvendo uma proposta para rever os produtos existentes no mercado.

 

Nestas páginas, estão os medicamentos proibidos ou que tiveram sua formulação alterada e as principais marcas que os identificam comercialmente. Se você estiver usando algum desses remédios, procure seu médico e peça que ele lhe receite algum medicamento alternativo. E fique atento: as medidas da Anvisa permitem que as empresas mantenham o nome fantasia dos produtos, desde que alterem a substância ativa proibida. Uma falha que poderá ocasionar muitos erros médicos.

 

Anti-sépticos - Foram banidos porque possuem derivados de mercúrio, um metal pesado que pode entrar na corrente sangüínea e intoxicar o organismo humano. O presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, afirma que água e sabão substituem perfeitamente o Mercurocromo. Para machucados maiores, alguns médicos aconselham a utilização do Polvidone.

Mercurocromo, Merthiolate

 

Fenilpropanolamina - Um estudo divulgado pela Food and Drug Administration (FDA), agência que controla os remédios dos EUA, comprovou que a substância pode causar derrame até em jovens.

Acolde, Afebrin, Benadryl Dia e Noite, Cheracol Plus, Contac, Contilen, Deltap, Descon AP, Descon Expectorante, Decongex Plus, Desfenil, Dimetapp, Naldecon, Naldex, Nasaliv, Ornatrol Spansule, Rhinex AP, Rinarin Expectorante, Sanagripe, Sinarest

 

Cisaprida - Encontrada em remédios para doenças gástricas, pode causar distúrbios cardíacos. Porém, a Anvisa deixou no mercado alguns medicamentos compostos pela substância, como o Prepulsid, diante da justificativa dos laboratórios de que eles contam com sistemas de monitoramento de reações adversas – portanto, é incorreta a informação veiculada na seção de notas da edição passada segundo a qual o Prepulsid estaria proibido no país. Para o Idec, porém, a permanência desses produtos no mercado é inaceitável. Nos EUA, onde as empresas também possuem sistemas de monitoramento, há um ano foram proibidos todos os remédios com cisaprida.

No Brasil, além do Pre-pulsid, os seguintes remédios contêm a substância:

Cinetic, Cisapan, Cisatec, Enteropride, Kinepride, Lizil, Normotil e Solução Conc-S.

 

Fortificantes - Foram proibidos mais de trinta fortificantes, tônicos, complementos de ferro e estimulantes de apetite que contêm álcool etílico. Os produtos, no entanto, poderão continuar no mercado, desde que alterem sua formulação. Associados a certos medicamentos, os fortificantes podem causar arritmia cardíaca, dor de cabeça e náuseas. Especialistas também acreditam que a exposição desnecessária de crianças ao etanol por período prolongado pode fazer com que se tornem viciadas em álcool quando adultas.

Biotônico Fontoura, Sadol

 

Astemizol - Aparece em medicamentos antialérgicos. Proibido por causar arritmias cardíacas.

Alergyo, Alermizol, Astemizan, Cilergil, Finaten, Hismanal, Histabloc

 

Gangliosídeos - Podem causar paralisia, problemas respiratórios e até a morte. O governo tinha banido esses produtos, mas houve uma polêmica na Justiça que o fez voltar atrás. Eles são proibidos em diversos países europeus.

Cronossial, Telexial, Sygen, Sinaxial

 

Ácido bórico - Sua utilização em pomadas, talcos e cremes para assaduras de crianças foi proibida após detectar-se que ele poderia causar problemas neurológicos e gastro-intestinais, intoxicações, insuficiências renais e erupções cutâneas.

Pó de uso tópico AD Zinco, Pó de uso tópico Efederm, Pomada Boro Borácica, Pomada Cariderm, Pomada Dermalisan, Pomada Hipodermon, Pomada Multiderm, Pomada Óxido de Zinco, Pomada Vitaminada A + D

 

Terfenadina - Foi proibida já em julho do ano passado. Estudos mostraram que a substância pode causar arritmia cardíaca em pacientes com problemas hepáticos e, se ingerida com antibióticos, pode levar à morte.

Afopic, Antalégio, Basf Generix, Histadane Cibran, Seudafen, Teldafen, Teldane, Terfedrin, Terfenadina

 

Por que só agora?

 

A estudante Cristina Abe estava tomando o anticongestionante Descon quando ficou sabendo da proibição da Anvisa. Preocupada, consultou seu médico sobre o que deveria fazer. Ele receitou o Resfenol, dizendo que teria o mesmo efeito do outro remédio. Porém, Cristina começou a ter fortes dores no estômago e interrompeu o tratamento. “Por que o governo só proibiu esses medicamentos agora? Há muitos anos eu tomo Descon e não sei o que vai acontecer com minha saúde”, desabafa a estudante. O presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, tranqüiliza Cristina e os outros consumidores, dizendo que o governo está apenas evitando problemas futuros.

 

De modo geral, o uso contínuo de descongestionantes não é aconselhável, mas ainda permanecem no mercado diversos produtos semelhantes, só que sem fenilpropanolamina. Pergunte a seu médico qual remédio você poderia tomar em substituição a um produto da lista.

 

Dipirona: proibida nos EUA desde 1971

 

A dipirona, substância analgésica mais vendida no Brasil, deverá ser analisada pelo governo, com a participação do Idec. Desde 1993, Consumidor S.A. já alertava para os riscos desse medicamento. A dipirona foi proibida nos EUA há trinta anos, após estudos terem revelado que seu uso ocasionaria uma doença fatal, a agranulocitose, que se caracteriza pela redução da quantidade de glóbulos brancos no sangue. Hoje, alguns países permitem seu uso hospitalar ou sob prescrição médica, mas apenas países subdesenvolvidos permitem sua comercialização irrestrita, como ocorre no Brasil. Dezessete países já proibiram a dipirona, que está presente em remédios como Anador, Buscopan, Doralgina, Dorflex, Doril P, Espamodid Composto, Inib-Dor, Lisador, Neosaldina, Novalgina, Reflex e supositórios para uso adulto e infantil.

 

De olho no AAS

 

Desde abril, os fabricantes de remédios para uso infantil que possuem ácido acetilsalicílico, como o AAS e a Aspirina, devem colocar no rótulo a seguinte frase: “Crianças ou adolescentes não devem usar este medicamento para catapora ou sintomas gripais antes que um médico seja consultado sobre a síndrome de Reye, uma rara, mas grave, doença associada a esse medicamento”. A síndrome afeta o cérebro das crianças e pode provocar hipoglicemia, dores musculares, convulsões e até a morte. Porém, a advertência só foi registrada nas embalagens de comprimidos para crianças. Há adolescentes que tomam AAS para adultos.

 

 

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IDEC - Remédios Proibidos